28/04/2015
26/04/2015
De volta ao continente africano!!!
Ajeum
comida ou alimento sadio. Ajeumbó
liberdade e permissão para comer ou alimentar-se. É dessa forma que estamos
emanados para essa nova ação com sabor de realização e aventura. O que para
nossa equipe, que pela segunda vez atravessará os continentes sentido à África
(exatamente Guiné-Bissau) para buscar uma reconfiguração de nosso ser
afrodescendente com mais veracidade que podemos encontrar em relatos e história
formal propriamente apresentada, seguindo o pensamento de que quem conta a
história é quem vence a guerra e que uma mentira contada repetidas vezes acaba
por virar verdade. Embainharemo-nos com as armas e rigidez de Exu, as armaduras
de Ogum e Xangô de quem usaremos a espada para romper os obstáculos e o machado
para contrabalancear com a justiça da luta, a força das águas de Iemanjá
associada à beleza, sensualidade e feitiços de Oxum, que possibilitará fluidez
e participação de todos convocados, o conhecimento de Oxóssi, também poderes
medicinais e de resistência de Omolu e Ossain, assim como os ventos de Iansã
para seguir em frente, a criatividade dos Ibeji e a comunicação de Oxumarê, sob
o manto de Oxalá, o qual reúne todas as demais divindades não denominadas,
uniremos a essas forças com a finalidade de poder compartilhar com nossos
familiares ancestrais o pouco que sabemos e temos conservado de nossas heranças
étnico antropológicas.
Tendo em vista a proximidade existente
entre ambos países referente à geografia ambiental: mar, rios, montanhas,
cachoeiras; também aos modos, modelos, moda e tendências como na música, a exemplo
do hip-hop, reggae, funk, as variantes do afro beat e muita música brasileira;
nos seguimentos esportivos como futebol, basquete, skate, ciclismo, aquáticos
etc; além dos guineenses serem detentores de festas populares como o Carnaval,
Festival de Páscoa e muitas estampas revolucionariamente étnicas (observações
resultante de diagnósticos vivenciados). Convergimos em aspectos peculiares
como termos sido colonizados com práticas lusitanas, observando que o
Guiné-Bissau tornou-se independente de Portugal apenas no ano de 1973 quase um
século após o Brasil, e vitimado por seguidos golpes militares, o que estagnou
o progresso socioeconômico do país, mas nesse momento vive a democracia
resultante de uma eleição direta que transcorreu em condições pacíficas
tornando o atual presidente José Mário Vaz do partido PAIGC do herói libertador
Amílcar Cabral.
Essa maratona proposta pela Casa do Boneco
de Itacaré tem a pretensão não de fazer uma doação para povos africanos
flagelados em um holocausto promovido pela mídia negativa, cito os canais
abertos do Brasil, principalmente, e mídia ocidental colonizadora e responsável
pela maioria dos problemas na África. A intenção é promover uma troca de
saberes e valores, os quais são pretendidos por nós afro-brasileiros e os
africanos em diversas vertentes, como ancestralidade, religiosidade, posturas
tradicionais e inovadas, tecnologia, empreendedorismo, criatividade, políticas
etc., além de poder contribuir com o aperfeiçoamento da Língua Portuguesa,
considerando o grande legado de ambos países que representarão seus continentes
empoderados com uma vastidão de influências de cores e estilos resultante da
pluralidade de seus povos e etnias.
Essa segunda viagem de intercâmbio Brasil -
Guiné-Bissau tiveram suas passagens possibilitadas através do EDITAL CONEXÃO
CULTURA BRASIL – INTERCÂMBIOS Nº 1/2014 do MINC, o qual a ajuda de custo cobre
somente as passagens. As demais necessidades como alimentação, hospedagem,
translado e etc. resta por conta pessoal e institucional.
Para
efetivação das atividades contamos com a seguinte equipe técnica:
Mestre Jorge Rasta;
Dani Jêje;
Preta Ashanti;
Hugo Xoroquê;
Nátali Mendes;
Nana Queiroz.
Necessidades
para efetivação da proposta
Com base nas atividades
propostas, vimos pelo presente solicitar apoio para:
- Uso do Centro Multimídia
Tebenkan (Bubaque – Guiné-Bissau). É um espaço da Rádio local Djan Djan com
estrutura para realização de reuniões e eventos de informática. € 6 (seis)
euros/dia (16 dias).
- Apoio para hospedagem e
alimentação de seis pessoas no valor de € 10 (dez) euros/dia por pessoa
(durante 30 dias).
- Doação de 03 notebooks e
05 celulares (que acessem a internet) para equipar os núcleos e as lideranças
comunitárias da Guiné-Bissau
- Retroprojetor – (já adquirido).
- Compra de dez instrumentos
de percussão para as oficinas de capoeira e música (que ficarão sob posse dos
membros dessas comunidades), R$80,00 por instrumento.
- Confecção de 50 camisas com arte gráfica do intercâmbio.
- Confecção de 50 camisas com arte gráfica do intercâmbio.
Contato para informações e
doações:
Ag: 4105-x
C/C:14894-6
Banco do Brasil
Antônio Jorge de Jesus
whatsap (073) 8823-2866
whatsap (073) 8823-2866
11/03/2015
Recriando Histórias
Esta semana a Casa do Boneco retomou as atividades educativas com os eres da feira de artesanato da Praia da Concha. Recebemos crianças entre 6 e 10 anos para trocas de saberes baseadas nas lições de casa e leituras. Os pais, em sua maioria artesãos e pescadores, trabalham até tarde e tal ação colabora tanto para o fortalecimento e integração da comunidade como também valoriza nossas crianças e nossa cultura preta além do florescer imaginação que a leitura e a contação nos proporciona.
O
livro, que foi recebido como doação, integra o acervo da singela
biblioteca que estamos construindo com livros de temática
étnico-racial e outras obras de temas diversos. A
ideia é que a mediação de leitura e contação se torne fixa na
agenda das atividades da Casa do Boneco como forma de trabalhar a
identidade na apropriação de nossa história e reconhecimento de
nossa cara preta nos livros.
Convidamos
a todos para compartilharem mais este espaço!
O
reforço escolar e a roda de leitura ocorre de segunda a sexta das 18h às
20h na sede da Casa do Boneco de Itacaré.
Informações:
casadobonecodeitacare@gmail.com
Fone: (73)3251-2796
02/02/2015
12/01/2015
A 5ª edição do Jornal ORÍ já está disponível!!
Dando continuidade ao
processo de formação voltado para a comunicação e toda a sua potencialidade
pedagógica, o Jornal ORÍ volta a circular em outubro de 2014, sendo nessa
ocasião um dos conteúdos didáticos resultantes do Projeto Três Pedrinhas.
Em sua 5ª edição, o ORÍ traz
um apanhado de tudo que aconteceu no I trecho do Projeto Três Pedrinhas, quando
três dias de vivências e saberes foram compartilhados entre os povos
(indígenas, negr@s, assentad@s) e contou com as intervenções de ilustres
convidadas para tratar da cultura do partejar, das ervas sagradas e medicinais:
a Ialorixá Maria Lameu, Dona Zefa da Guia e Suely Carvalho. Também traz
importantes reflexões a respeito da Teia de Agroecologia dos Povos da Cabruca e
da Mata Atlântica, os elos que a compõem e as ações que tem desenvolvido, além
de receitas para autocura.
A versão online do jornal
pode ser acessada aqui, bem como as edições anteriores. Para ter acesso à
versão impressa é necessário solicitar através do e-mail jornalori@gmail.com.
24/12/2014
‘‘NATAL DE PRETO É EM NOVEMBRO... E É ASSIM!’’
É o que propõe a campanha
realizada pelo Coletivo A Coisa Tá Ficando Preta em parceria com a Casa do
Boneco de Itacaré, que questiona o poder simbólico capitalista incutido no
Natal, quando os interesses meramente econômicos se sobrepõem às reais
necessidades da população, principalmente os grupos marginalizados.
O Coletivo atua há mais de
um ano no Sul da Bahia promovendo discussão e disseminação de assuntos como
religiosidade, estética, relações de gênero e afirmação identitária, utilizando
as linguagens publicitária e audiovisual com uma perspectiva
didático-pedagógica para abordar as questões relacionadas à identidade negra e
afro-brasileira.
No dia 24 de novembro,
semana da consciência negra, foi lançada a campanha ‘‘Natal de preto é em
novembro e é assim...’’ trazendo a figura do Mestre Jorge Rasta para tratar de
princípios e valores da ancestralidade africana como a oralidade, pertencimento e resistência, além da relação de respeito entre os mais
velhos e os mais novos, com a forte presença afrocentrada do bebê Orunmilá. Como um dos
objetivos centrais do Coletivo, a campanha também desconstrói a imagem do Papai
Noel convencional, o velhinho branco, de barba branca que dá presentes para as
crianças que se ‘‘comportam’’.
Por que tem que ser branco?
Por que usar essa roupa? Por que esses valores que nada dialogam com nossa
realidade? E as nossas tradições negras, onde ficam? Por esses e outros
questionamentos a figura central da campanha é um griô, homem preto de longos
cabelos dreads, usando sabadouro branco, batas africanas, tocando tambor e
compartilhando dos ensinamentos. Muito diferente do que estamos acostumados a
presenciar nas campanhas natalinas, onde a imagem de pessoas negras é raramente
apresentada, e quando posta é seguindo um padrão eurocêntrico de beleza e
comportamento.
Para nós dos movimentos
negros e sociais, dizer que Natal de preto é em novembro significa rememorar e
manter viva a imagem de líderes como Zumbi, que lutaram pela libertação do povo
negro no Brasil e encorajar os atuais guerreiros e guerreiras através desses
referenciais.
A segunda parte da campanha é lançada na semana em que se comemora o Natal oficial segundo algumas religiões cristãs, período também em que se intensifica a corrida comercial capitalista em busca de grande número de vendas, ressignificando os valores natalinos com único objetivo: o lucro. Assim, a discussão segue na mesma linha de abordagem, dando continuidade à campanha.
Para saber mais sobre o
Coletivo e conhecer também outras campanhas realizadas em 2014 é só acessar a
fan page aqui.


''Podem rir mas serei sincero e coesoConheci papai noel e fiquei surpreso
Barbona branca, cabelo crespo, pele escura
Ouvindo dingou béu estilo rap, que loucura
Era ele mesmo, gordinho e sorridente
Rodeado de erês e distribuindo presente
O velhinho era real falou do tempo de moleque
Adorava roupa vermelha e curtia baile black
Ao saber que eu cantava na banda simples rap'ortagem
Começou a me falar um monte de viagem:
-se disser que trenó é uma farsa, te incomoda?
Como percebe passo a vida numa cadeira de rodas
Porque tu acha que não atendo todas as crianças?
Mas saiba que sou casado e uso aliança
Eu mesmo não tem filho adivinha porque?
Advinha porque sou militante do glbtt?
Na verdade, eu que fui adotado pela criançada
Mas diferente do que pensam minha condição é limitada
Com preconceito e outros tantos desafios a superar
Eu tô de saco cheio de armas pra lutar
Pra finalizar ele disse que não faz sinal da cruz
E me deu de presente o filme "olhos azuis"
Perguntei porque sua real identidade não se discute
Me respondeu: - o que sou não é vitrine pra orkut
Dingou béu, dingou béu
Sou black noel
Que legal, que legal
Noel black paw''
Música: Papai Noel da diversidade (2008)
Artista: Simples Rap'ortagem
21/12/2014
Carta final da III Jornada de Agroecologia da Bahia propõe novas articulações de luta
Terminou no domingo, 7 de dezembro, a III Jornada de Agroecologia da Bahia. Desde o dia 4, estiveram reunidas cerca de 1200 pessoas no Assentamento Terra Vista, em Arataca (BA), para debater “Sementes, ciência e tecnologia agroecológica para mudar a realidade das comunidades no campo e na cidade”.
Assim como as edições anteriores, a III Jornada foi uma construção da Teia Agroecológica dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica e seus diversos elos, os quais integram quilombolas, indígenas, assentad@s, estudantes, movimentos sociais, mestres e mestras de distintas tradições.
A programação contou com oficinas e mini-cursos articulados por diversos movimentos sociais, coletivos e instituições de educação. Cada dia foi marcado por uma mesa interativa, debatendo a Agroecologia e sua relação com as sementes, a ciência, a transformação da sociedade, a educação, governança e a luta de classes.
Além dos espaços de formação política, a Jornada também contou com momentos vivenciais e culturais, como a Ciranda Infantil, místicas, shows e atividades espontâneas e auto-organizadas pel@s participantes, como os torés indígenas, o encontro de mulheres e a roda de capoeira.
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| Plantando o Baobá |
Após três dias intensos de debates, a Teia Agroecológica produziu coletivamente a Carta da III Jornada de Agroecologia da Bahia, aprovada na plenária final de domingo. Entre os diversos temas abordados, a Carta afirma a necessidade de unificação da agenda de lutas, a descriminalização dos movimentos sociais, modelos comunitários de produção agroecológica, o enfrentamento da opressão de gênero e a autonomia política frente aos poderes constituídos.
Algumas reflexões da Jornada, assim como a Carta Final,
estão no blog:www.jornadadeagroecologiadabahia.blogspot.com.
O registro fotográfico realizado pela Brigada Audiovisual dos Povos está disponível no link: https://www.flickr.com/photos/122585244@N05/sets/72157649311784327/page3/
Contato: jornadadeagroecologiadabahia@gmail.com
17/11/2014
Sobre "Machismo", "Universidade" e "Sermos todxs Nátali"!
"Gênero
não é binário. É uma hierarquia.
É
global em seu alcance, é sádico em sua prática e
é
assassino em sua realização. (...)” Lierre Keith
Nesse
Novembro Negro, gritamos Aqualtune para pautar: as mulheres não
serão tolerantes ao posto de objetos numa prateleira enfeitada,
muito menos como loucas, quando pomos o dedo na cara de quem quer que
seja para escancarar o machismo!
No
Sul da Bahia, movimentos e diversas pessoas, especialmente mulheres,
se posicionam em favor da denúncia da estudante de Comunicação
Social da UESC Nátali Mendes,
constrangida publicamente pelo professor da mesma instituição André
Rosa, que usou de uma infeliz postura de elogio, um segurar de braço
seguido da oferta de seu cartão para ter aquela estudante no rol de
inúmeras mulheres que tem se pronunciado desde então vítimas de
constrangimentos ainda maiores nas abordagens daquele professor. Já
ouvi uma amiga me questionar: mas qual mal ele fez afinal? Não me
canso de explicar: o uso abusivo do poder de professor para com uma
aluna, dentro de uma instituição onde ele exerce autoridade sobre a
estudante, ele usou de sua autoridade através do cartão, do direito
que se outorgou de pegar em seu braço pra promover um elogio! Seu
pedido de desculpas foi tão infeliz quanto o seu ato de assédio.
Trouxe o turbante como o motivo do fato. Mas professor, logo o senhor
que trilha tanto pela pauta das questões afirmativas? Folclorizou e
fantasiou a coroa da mulher negra? É desentendimento ou o senhor
está montando uma grife de turbantes?
Infeliz,
mexeu com uma mulher negra
empoderada,
altiva, do
asè e que
tem voz. Mas essa mulher não está falando apenas por ela. São
diversas as situações de mulheres que já passaram por
constrangimentos com esse professor dentro e fora da universidade e
que silenciadas, talvez até acreditassem que o problema era o seu
corpo, ou simplesmente desacreditaram da sua capacidade de reagir.
Depois
do
episódio no auditório, Larissa Pereira, que presenciou todo
ocorrido afirma: “Desde
então tenho ouvido reiteradas denúncias individuais de atuais ou ex
estudantes da UESC: :"Ele quis pegar na minha bunda", "Ele
disse que queria me comer", "Ele pegou em mim e disse que
eu era gostosa" "Minha mulher preferida é a que tem
buceta". Para os olhos desavisados ou coniventes estas falas
podem ser elogios. Para mim, mulher negra e feminista, essas falas
são formas de naturalizar a histórica coerção machista sobre o
meu corpo. As mulheres que denunciam são, em sua maioria, do círculo
social do referido professor. Mulheres militantes da causa
educacional e/ou racial. Mulheres que cansaram de ver um homem se
arvorando do poder fálico para conseguir privilégios. Continuo
enojada. Continuo engajada. Vamos à luta, homens e mulheres
comprometidos com uma sociedade justa.
A
denúncia tem sido usada política e sensatamente pra pautar a
universidade, que com certeza traz outros inúmeros casos similares
(não precisa de pesquisa científica para provar tal afirmação, do
meu lugar de fala, basta ser mulher) e isso no mínimo vai qualificar
o debate no importante ambiente cultural que é a universidade.
“Assédio
por parte de professores homens na universidade é assunto recorrente
que corre à boca pequena. Já vi mulheres sendo desqualificadas em
bancas de TCC, reprovadas em disciplinas por conta de não ter cedido
à "cantadas". Espero que a Universidade (Reitoria,
professores, estudantes, funcionários), a UESC nesse caso, se
posicione, ou vamos continuar colocando curativos nos ferimentos umas
das outras, enquanto cultivamos em silêncio a dor de carregar corpos
violados.” Hundira Cunha
Claro
que isso também tem causado diversas reações conservadoras e
machistas que invertem a lógica da situação e trazem a estudante
Nátali para o centro do problema. Ela seria então a desequilibrada,
a exagerada, irresponsável, que quer se aparecer, a quadrada que não
entende uma cantada ou a insensível que quer acabar com a carreira
do “coitado” do professor. É esse o jogo perverso que a
dominação masculina promove e reproduz cotidianamente. Aí boa
parte dessa sociedade se coloca contra as Nátalis, Marias, Danielas,
Verônicas, Brisas, Larissas. Ou não é evidente que esse não é um
caso isolado? Por que parece que essa parte da sociedade só daria
razão se fosse o crime de estupro, mas se fosse um estupro em quem
tivesse bem vestida, não provocasse a libido alheia e de
preferencia, fosse religiosa... Confere, produção?
A
essa sociedade, que muitos respeitam enquanto um nicho ideológico
reacionário e conservador, nos levantaremos todos os dias, sob o
raio e o vermelho de Iansã pra dizer: Basta! O machismo não
passará!
A
feminista negra
Audre
Lorde nos alerta que “temos
sido educadas numa sociedade doente e anormal, e nós devemos estar
num processo de retomar a nossa vida, mas não nos termos dessa
sociedade. (...) O sujeito e o assunto da revolução somos nós
mesmas, é a nossa vida". Dessa forma, eu queria dizer ao
professor André Rosa e toda a parte da sociedade que o apoia,
especialmente aos homens que exercem seu poder fálico para impor sua
dominação física, simbólica, emocional e até mesmo profissional,
que nós, mulheres negras, estamos praticando
a irmandade como principio básico do feminismo. Seremos combativas
igualmente contra o racismo e contra o machismo! Nenhuma passo atrás,
Nenhum silêncio reinará!
Quem
eu sou?
(escolha
um ou mais nomes abaixo)
Eu
assino como Maria, Nátali, Ronara, Nana, Dania, Say Adinkra,
Hundira, Larissa, Cláudia, Quenia, Fernanda, Daniela Galdino, Preta Ashanti, Brisa,
Karen, Joana, Carla, Grasieli, Michele, Jorge Rasta, Hugo Xoroquê,
Negus Jorge, Gominho Neves, Tiago Dendê, Yure Mendes...
Sul
da Bahia
Noite
de 15 de novembro, sob chuva, raio e trovão
Eparre
Oyá!
20/10/2014
Oficinas de Customização e Jóias de Asé: processos coletivos de geração de renda!
Nas últimas quinta e sexta (16 e 17) de
outubro, realizou-se na Escola Agrícola Margarida Alves (Ilhéus-BA) a Oficina
de Customização, técnica de arte manual que está sempre transformando o velho
em novo, ministrada por Preta Ashanti e Bianca Maria. Nessa
oficina aprende-se diferentes tipos de pontos com agulha e linha de crochê,
aplique de tecidos e miçangas, dando possibilidade de criar e reinventar tanto
roupas como também painéis, usando pintura e desenho.
A atividade contempla um projeto de apoio ao protagonismo
das mulheres através da mobilização e formação para o acesso a políticas públicas.
Também prevê a implantação de ações de desenvolvimento da autonomia econômica
através de processos coletivos de geração de renda.
Já no sábado (18), foi realizada no
Terreiro Matamba Tombenci Neto (Ilhéus-BA) a Oficina Joias de Asé, fazendo
parte das atividades do Projeto ‘‘Mãe Ilza Mukalê: Música, Identidade e
Memória’’. Jóias de Asé é uma linha de produção de adereços e adornos para o
corpo, usando miçangas e sementes com representação dos orixás, exibindo nas
joias (colares, pulseiras...) histórias e contos de um Deus.
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| FOTO: Flávio Rebouças |
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| FOTO: Flávio Rebouças |
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| FOTO: Flávio Rebouças |
16/10/2014
XIII CARURU DE IBEJI E AS PEDAGOGINGAS: Tambor e Ancestralidade!
II TRECHO DO PROJETO TRÊS PEDRINHAS
Por tudo que nasce, saudamos nossos erês!

Sentimento de renovação das forças, reoxigenação e
fortalecimento, a cada caruru que é servido, uma página a mais é escrita e
acrescentada na história de um povo, e de uma instituição. A história do Caruru
de Ibeji e da Casa do Boneco se confundem e se pertencem por serem parte de uma
trajetória de muitas lutas, adversidades, surpresas e vitórias. Precisamos
agradecer, e fazemos isso como a ancestralidade africana nos educou: com
tambor, com dança, com brincadeira, com fartura e com muito trabalho.
A transmissão de saberes ancestrais milenares, resguardados na vivência das nossas mestras e mestres não cabem nas estruturas eurocêntricas
que regem o sistema educacional convencional. Para romper com uma educação que
não conta a verdadeira história do povo preto, com uma mídia coronelista que
descaracteriza a nossa identidade, com o racismo impregnado que mata os nossos
jovens diariamente, as pedagogingas se fazem instrumento de educação e formação
política dos futuros (e atuais) Zumbis e Dandaras.

A Casa do Boneco existe e trabalha à 27 anos com o
empoderamento da infância e da juventude negra itacareense, urbana, rural,
quilombola, utilizando para isso as mais diversas linguagens e aprendizados
sempre voltados para a ancestralidade africana, afro-brasileira e indígena.
O
Caruru de Ibeji, já na sua 13ª edição, surgiu em agradecimento pela vida de Lori
Mafoany que em meio à adversidades de uma gravidez inesperada, nasce de 6 meses
e meio e mesmo desenganada pelos médicos resiste com sua saúde e inteligência
invejáveis. Tornando-se tradição na cidade, o Caruru de Ibeji a três anos
une-se à proposta das Pedagogingas, práticas educativas realizadas através de
oficinas, rodas de conversa e tambor, apresentações culturais, celebração
religiosa e união dos povos em um encontro que também contempla o II trecho do
Projeto Três Pedrinhas.
A abertura oficial do evento foi no dia 24 de setembro de
2014, mas esse processo real de resistência já começou à séculos, quando o
nosso primeiro irmão foi capturado em África por uma colonização autorizada
pela Igreja Católica e por uma ‘‘supremacia’’ racista branca. Para fazer a
abertura do nosso evento não vestimos a roupa da moda, não cantamos a música
das paradas de sucesso das rádios comerciais, não falamos de conformismo e nem
de pacifismo. Nos enfeitamos com tecidos africanos, batas e turbantes para
tocar e cantar o Xirê, saudando as forças da natureza, os Orixás, pedindo licença
e permissão aos que nos guiam. Apresentamos @s noss@s oficineir@s, mestres,
grupos e coletivos que vieram compartilhar dos seus saberes.
Para aprender e ter contato com a musicalidade de
evocação e saudação dos orixás, o Alabê Dito, guardião do saber ancestral da
religião do candomblé, enriquece a nossa programação com a oficina de Toques e
Cantos de Xirê. Construir o próprio instrumento musical de forma agroecológica
e afrocentrada também foi ensinado-aprendido-ensinado na oficina de Confecção
de Tambores Afrobrasileiros, facilitada pela representação de Tambores Oraniã
(Casa do Boneco), Alma Percussão, Coletivo Casa Preta (Pará) e Casa de Cultura
Tainã (São Paulo).
Os tradicionais bonecos não poderiam ficar de fora do
nosso encontro, não só por ser uma poderosa ferramenta pedagógica, mas também
por ser símbolo significativo e fundador da Casa do Boneco. Tivemos oficina de
Confecção de Bonecos com Cabaça, com o nosso grande Mestre Elias e Adriana
Reis, onde foi ensinado a produção e manipulação de bonecos, com improvisação
de teatro. Também contamos com a oficina de Confecção de Bonecos Gigantes
oferecida pela Cia de Teatro de Bonecos Mãos na representação de Cláudio Cruz e
Fátima Araújo, e o grupo de jovens que compõem a cia. Foram construídos dois
lindos bonecos gigantes que abrilhantaram o cortejo afro e hoje compõem o
elenco de bonecos do Ylê D’erê.
Nossos pequenos reis e rainhas se divertiram muito
aprendendo sobre suas histórias e entendendo o que é essa tal de identidade em
atividades como a Oficina Criativa Ka Naombo, confeccionando os próprios
marca-textos iguaizinhos a cada um depois da dinâmica do espelho, facilitada
por Adriana Ka Naombo. Também tivemos muitas histórias com a Oficina de
Literatura Infantil facilitada por Larissa Pereira; Oficina Cantiga de Erê com
Mariana Bittencourt; e a oficina Menina Bonita do Laço, do Torço e do Turbante
(Leiturança), facilitada por Carol Cruz e Carla Antelante, nos coroando com
lindos turbantes.
Contamos com a belíssima participação do Grupo ELO que ofereceu a Oficina de Hip Hop mediada por Tayrini e Nessita Lopes, mostrando a representação feminina no movimento hip hop de Vitória da Conquista. A Arte do Graffiti também foi muito bem representada pela oficina ministrada por Baga e Bigode (Salvador). Fabrício Silva, graduando em odontologia, nos ofertou uma palestra sobre Espiritualidade e Bioética na Saúde e também uma Oficina de Beat Box. Música e iniciação de técnicas vocais foram aprendidas com a oficina Conta Para Todo Canto, ministrada por Mariana Bittencourt.

As tecnologias, suas ferramentas e linguagens também marcaram presença, tendo representação da Oficina de Edição de Áudio, com Sérgio Melo dando continuidade à formação dos monitores das rádios implantadas pelo Projeto Três Pedrinhas; Oficina Cinema In MOV ministrada por Camila Mota, além de intervenção audiovisual do CineCACoS e transmissão ao vivo da Rádio Indaca Obá FM, que completa um ano!


O nosso encontro agregou mais de 200
participantes, com grupos e representações de instituições e comunidades como:
Assentamento Terra Vista, Posto Indígena Caramuru Catarina Paraguaçu, Quilombo
Rio dos Macacos, Rede Mocambos, Teia de Agroecologia dos Povos da Cabruca e da
Mata Atlântica, IF Uruçuca, Quilombo Lagoa Santa, e outros coletivos.

Para a culminância desses cinco dias repleto de atividades, aprendizados e troca de saberes, a celebração do Caruru de Ibeji aconteceu no domingo, dia 28 de setembro. Saindo da Praça São Miguel e rumando para a Casa do Boneco, desfilamos com um lindo Cortejo Afro. Ala de baianas, crianças, comunidades indígenas, militantes, educadores, também bonecos gigantes e pernas de pau, frutos da oficina de confecção de bonecos, tudo no lindo cortejo ritmado pelo toque dos tambores, pelas flores, perfume e banho pipoca. Na Casa, celebramos os Ibejis e foi servido o Caruru, primeiro para os erês e depois para a imensa fila que se forma tradicionalmente para alimentar o corpo com esse delicioso prato da culinária afro-brasileira, e o espírito de muito axé e gratidão.


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