




Dona Josefa, a querida Zefa da Guia (Sergipe) traz de sua comunidade quilombola a experiência em ‘‘pegar menino’’, saber herdado de suas ancestrais que desde os treze anos passou a exercer, sempre aliada à espiritualidade, as rezas, as curas:
‘‘Meu
trabalho de parteira é ensinar transportar a vida, um é Deus, o
médico dos médicos. Deus deu um saber pra gente, e o trabalho de
parteira tem muita responsabilidade e autorização [...] eu trabalho
rezando!’’. Não há mal,
nem do corpo e nem do espírito que se mantenha diante dos
tratamentos, remédios e simpatias que a Dona Zefa nos ensina, de
mau-olhado à miomas, ela sempre terá um elixir que cure a sua
mazela.
Yalorixá
Maria Lameu do
Ylê
Axé Dakossidê, traz do seu
quintal no Recôncavo da Bahia uma grande diversidade de ervas
medicinais e de uso tradicional na religião afro-brasileira do
candomblé, inclusive apresenta o Obí, fruto importante no culto ao
orixá. Com toda sua espontaneidade e simpatia, Mãe
Lameu nos conta os seus curiosos 14 partos, que fez sozinha e em
casa:

“...Fui buscar uma lata de água na beira do rio, porque naquela época eu morava perto do Rio Paraguassu, ai quando eu cheguei na beira do rio, que metir a perna pra pegar a água na lata, se eu não sou ligeira, a neguinha morria afogada, (risos)...”
Na
religião do candomblé, Ossain é o orixá que cuida das ervas, e
sem as folhas sagradas não existe nenhum fundamento religioso.
Suely Carvalho, coordenadora da Rede Nacional de Parteiras Tradicionais do Brasil, que se alia com a Rede Latino-americana de Parteiras, herdeira de gerações de parteiras, traz na sua experiência de mais de 5 mil partos, além da luta em defesa da mulher, e do respeito ao sagrado feminino.

‘‘...a
mulher tem o controle da situação, nós parteiras estamos ali só
pra ajudar, jamais podemos nos desconectar de um rito de passagem,
tratar de uma maneira mecânica automática como se fosse uma momento
qualquer!’’
O aprendizado da conversa se concretiza a cada vivência, seja na cozinha através das receitas dos remédios ensinadas pelas mestras, seja na prática do plantio das ervas na horta coletiva, no viveiro, na identificação desses remédios na mata e nos quintais da comunidade. Tudo é socializado em apresentação para @s demais companheir@s.

Unindo o saber ancestral à apropriação tecnológica, a Rádio Livre ‘‘Aliança Educadora’’ vai ao ar, sendo uma importante ferramenta de empoderamento da comunicação na comunidade, e por ser o aparato de criação de programas radiofônicos que servirão como conteúdo pedagógico para a formação política no cotidiano dessa comunidade e em suas escolas. Além do rádio, o Projeto Três Pedrinhas conta com outros gêneros da comunicação para produção de conteúdos educativos, como o audiovisual, através da produção do vídeo documentário, da fotografia e do jornal impresso, através do Jornal Orí.


O Projeto Três Pedrinhas conta com uma equipe técnica formada por:
Jorge Rasta (coodenação executiva)
Nátali Mendes e Nana Queiroz (Assessoria de Comunicação)
Glauber Elias, Say Adinkra e Vitor Coimbra (assessoria em educomunicação)
Carla Antelante (assessoria pedagógica)
Sérgio Mello (técnico em instalação e produção de programas de rádio)
Fafá M. Araújo, Ismael Silva e Fernanda Pennachia (fotografia)
Casa da Alegria (cobertura audiovisual)
Don Perna (design gráfico)
MONITORES LOCAIS: Dania Jejê, Hugo Xoroquê, Beatriz Odara, Tovi Nascimento, Wilk Muniz e Moisés Muniz Pataxó.
PRODUÇÃO LOCAL: Breno Santiago.
EQUIPE DE APOIO:
Preta BiaGominho Neves
Preta Ashanti
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