02/09/2013
16/08/2013
27/07/2013
Mapa colaborativo de cineclubes baianos é lançado na internet
O
projeto Quilombo In Cena lança, nesta sexta-feira, o Mapa
Colaborativo dos Cineclubes da Bahia. A ferramenta, utilizada através
da internet no endereço http://quilomboincena.tk,
ficará disponível para que cada cineclube baiano realize seu
cadastro, respondendo a um formulário com dados básicos e relatos
da experiência desenvolvida em cada comunidade. A partir do endereço
fornecido no formulário, a localização do cineclube é marcada e
associada a fotos ou vídeos produzidos pelos cineclubistas.
Para
este trabalho, financiado pelo Fundo de Cultura da Bahia, o projeto
conta ainda com a parceria do Conselho Nacional de Cineclubes (CNC),
da União de Cineclubes da Bahia (UCCBA), da Casa do Boneco de
Itacaré, Rede Mocambos e da empresa de tecnologia 3Ecologias . “A
divulgação será feita também através de listas de discussão e
fóruns cineclubistas. Queremos reforçar o caráter colaborativo do
processo com a participação direta dos cineclubistas na construção
do mapa”, informa Thaís Brito, responsável por esta etapa do
projeto.
Fórum
Baiano de Cinema Comunitário
Além
de permitir uma visualização da distribuição geográfica e do
funcionamento dos cineclubes baianos, o processo do mapeamento também
é uma etapa da mobilização para o Fórum Baiano de Cinema
Comunitário, que acontecerá entre 29 de outubro e 03 de novembro,
na comunidade quilombola de Lagoa Santa, em Ituberá (BA). O
Fórum reunirá
representantes de cineclubes e outras experiências comunitárias na
área do cinema para cumprir uma programação de discussões
organizada a partir dos eixos: Produção - caminhos e possibilidades
para desenvolvimento e difusão do cinema negro em comunidades; e
Distribuição e acesso – desafios e perspectivas do acesso de
comunidades rurais ao cinema brasileiro e ao cinema negro.
No
turno oposto às atividades do Fórum será realizada a Mostra
Audiovisual Quilombo In Cena, com a exibição de filmes
documentários, curtas e longa metragens focados em conteúdos
étnicos raciais. Cada filme será debatido com a participação de
mestres e mestras da cultura popular e lideranças comunitárias e
quilombolas de todo o país.
A
proposta é fortalecer os cineclubes para ampliar o acesso ao cinema
por comunidades rurais, especialmente as que são remanescentes de
quilombos. De acordo com Say Malta, que coordena o projeto,
“o fortalecimento
da rede de cineclubes e outras experiências de cinema comunitário
em comunidades rurais e periféricas é fundamental para a
democratização do acesso. Essas localidades e seus moradores estão
excluídos dos circuitos comerciais de produção e distribuição”
O projeto distribuirá também um kit e um catálogo de filmes com
recorte étnico-racial, propondo o enfrentamento da visão
fragmentada, inferiorizada e invisibilizada do negro em relação à
sua história e identidade afro brasileira e africana.
Serviço
Mapeamento
Colaborativo de Cineclubes da Bahia
Contatos: quilomboincena@gmail.com
Say
Adinkra (Coordenadora Quilombo Incena) saynoitescomsol@gmail.com /
73.9133.4104
Thaís
Brito (Mapeamento Cineclubista)
taisoueu@gmail.com
71.9178.9778
Casa do Boneco anuncia XII Caruru de Ibeji e as Pedagogingas 2013!
Para os amig@s, companheir@s se organizarem e para anunciar nossa ousadia, de, em condições materiais muito ruins, não abriremos mão de nossa celebração e do exercício da nossa ginga antirracista pra ensinar outro mundo às famílias.
ACEITAMOS DOAÇÕES E APOIOS!
EM BREVE SAI A PROGRAMAÇÃO!
Marcha Nacional contra o genocídio do povo negro! Marcharemos!
"Precisamos
estar bem vivos para cuidar dos nossos mortos assassinados, para cuidar
dos sonhos violentados dos vivos que perderam os seus... temos que
estar bem vivos como alguém que, na beira de um precipício, com a
sensação de estar seguro por um fio de cabelo apenas, respira e percebe
que há um cipó robusto, sustentando-nos em axé e africanidade..." Casa do Boneco
Núcleo Bahia de Formação Continuada da Rede Mocambos integra Brigada de Audio Visual dos Povos.
Entre
19 e 21 de julho, o Assentamento Terra vista (Arataca BA),
sediou o "Encontro de Produção Audiovisual e Comunicação
Comunitária", o encontro reuniu diferentes coletivos: MST, Rede
Mocambos, NEPPA (Núcleo de estudos e Práticas Agrárias), GAIA
(Grupo de Ação Interdisciplinar em Agroecologia), além de
integrantes da Teia de Agroecologia dos Povos da Cabruca e da Mata
Atlântica e do Projeto Tabuleiros Digitais.
O
encontro consolidou a Brigada de Audiovisual dos Povos, coletivo que
integra os diferentes movimentos reunidos no evento, com o objetivo
principal de formar multiplicadores de audiovisual que consigam
estruturar a comunicação em suas comunidades, tendo a apropriação
do audiovisual como uma estratégia central que além de fortalecer a
identidade comunitária, incentiva a produção de nossos próprios
conteúdos, fortalecendo a luta.
Para
o Núcleo Bahia de Formação Continuada, o encontro foi o início da
construção do Núcleo de comunicação da Teia de Agroecologia dos
Povos da Cabruca e da Mata Atlântica. Depois do Encontro na Casa de
Cultura Tainã, assumimos uma missão com nosso território em
fortalecer a perspectiva de comunicação comunitária, apropriação
tecnológica, especialmente com as ferramentas da rede.
"A
integração com a Brigada de Audiovisual reforça princípios de
solidariedade e colaboração entre saberes e fazeres, levando em
conta o respeito e as especificidades das comunidades onde estamos
construindo outros modos de sociedade, rebeldia e humanização
das relações. Não foi difícil perceber que os objetivos do nosso
Núcleo e da Brigada, são convergentes, vamos caminhar na força dos
frutos desse encontro",
afirma Say Adinkra, articuladora da Rede Mocambos.
Ao
longo dos próximos meses, já temos a sinalização de uma
importante agenda que dará continuidade ao processo:
-
Agosto: Mutirão Casa do Boneco - atualização das ferramentas da
rede e organização de conteúdos / intervenção no telecentro do
Quilombo Lagoa Santa
-
Setembro: Brigada Audiovisual realiza mutirão e oficinas durante o
XII Caruru de Ibeji e as Pedagogingas
-
Outubro: Mostra Quilombo Incena e Fórum Baiano de Cinema Comunitário
IV Encontro Nacional da Rede Mocambos: " Não temos que ser incluídos, temos que ter direito de produzir tecnologias."
O IV Encontro Nacional da Rede Mocambos reuniu representantes de vários estados do país, para tratar dos Núcleos de comunicação quilombola que estão em fase de estruturação em diferentes estados pelos Núcleos de Formação Continuada. Na Bahia, a Casa do Boneco está coordenando o processo com a articulação com comunidades quilombolas, com a Teia de Agroecologia e mais recentemente, iniciando uma articulação com a Brigada de Audiovisual dos Povos.
O encontro na Casa de Cultura Tainã, foi iniciado revisitando o sentido da Rede, que remete ao quilombo de Palmares para “beber” nos
princípios de respeito, resistência e luta conjunta.
Na rede, deve-se fortalecer a comunicação como instrumento
importante, o tambor como elemento ancestral que comunica e a
tecnologia como aparato tecnológico pode auxiliar no processo,
modificando a concentração de poder deste instrumento (e há outros
também, como as sementes). É preciso se reapropriar, produzindo e
criando tecnologias. A tecnologia do tambor, por exemplo. As
tecnologias foram necessárias para nossa sobrevivência e o tambor é
essencial para nós. Ele está presente na vida da terra, assim como
na vida da gente.
A filosofia
do baobá e do tambor é central na Mocambos: está a serviço
da humanidade, oferece sentido ao mundo e compromisso político de
nunca mais se deixar de lutar.
Rede, Tecnologia e Software Livre
O trabalho que a Rede tem construído, caminha no sentido de pensar território físico, simbólico e digital, além de territorialidade, numa perspectiva de descolonização, tendo o tambor, o baobá e o desenvolvimento de ferramentas digitais como algumas de suas estratégias.
O
Brasil está seguindo um processo de desenvolvimento que vai
explorar cada vez mais recursos naturais e as comunidades locais, e
a rede se propõe a ser diferente. Não há nenhum movimento social
que está contrapondo esse processo. E para isso está se pensando a
necessidade de fortalecimento da rede para justamente contrapô-lo.
Há diálogo com o Estado, mas as vitórias virão pelo processo de
luta mesmo.
Estamos
com um pedaço de terra digital, e juntos discutimos quem quer
cuidar e manejar esse território, fazendo em conjunto os plantios.
E não tem como plantar sem ter conhecimento das ferramentas. Se
você quer autonomia, você tem que ter o conhecimento. E tentar
fazer sem ferramentas vai ser muito mais difícil. Estamos devagar,
mas num processo que tem fundamento. Acreditamos nisso por que há
400 anos de história de resistência. O que possibilita propor uma
terra digital diferente é a luta, que passa para o espaço digital
todo o fundamento da nossa história.
16/05/2013
VI Encontro Nacional da Rede Mocambos acontece de 27 de maio à 03 de junho na Casa de Cultura Tainã.
Entre
os dias 27 de maio e 03 de junho de 2013, a Casa de Cultura Tainã
(Campinas SP) sediará o IV Encontro Nacional da Rede Mocambos,
reunindo griôs da cultura negra, quilombolas, colaboradores diversos
e integrantes dos Núcleos de Formação Continuada da Rede. Já
estão confirmadas participações de 8 estados: São Paulo, Bahia,
Pará, Amapá, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e
Maranhão.
O
evento dará início aos encontros do Projeto Núcleos de Formação
e Comunicação Quilombola, realizando a partir disso, um conjunto de
oficinas e debates para efetivação de ações através de uma rede
de produção, que irá organizar e difundir conteúdos históricos,
artísticos, culturais, técnicos e linguísticos, produzidos por
comunidades tradicionais por meio da comunicação comunitária.
A
Rede Mocambos, ao acumular uma trajetória de quase uma década de
articulação negra e
quilombola,
traz em suas experiências para o contexto atual de seus encontros,
no campo da cultura negra e de pesquisa e desenvolvimento em cultura
digital, a possibilidade de estruturação de acervos digitais a
partir de servidores de baixo custo. Esses servidores deverão
permitir a criação, organização e difusão de conteúdos de
saberes ancestrais em comunidades com ou sem acesso à Internet,
através de textos, das artes e do áudio visual.
Essa
é uma das tentativas de intervir no cenário preocupante de
desmantelamento dos saberes afro comunitários, como reflexo de um
contexto que associa uma história de invisibilização e opressão
pautada no "supremacismo branco" com as eficazes
articulações entre capitalismo, racismo e dominação dos meios de
comunicação pelas elites.
Esse
projeto que permeia o IV Encontro Nacional é um contraponto,
consequência de anos de acúmulo, pesquisa e articulação, gira em
torno de questões centrais que entendem a apropriação da
comunicação numa perspectiva ancestral, não apenas como a ruptura
do indivíduo em ser mero receptor de informação, mas também como
uma estratégia de poder com capacidade de redefinir e ampliar uma
filosofia do ser e suas infinitas possibilidades de intervenção na
realidade.
A
Casa do Boneco estará novamente presente nesse encontro, que
significa uma das suas mais importantes agendas políticas desde
2008, quando a entidade ingressou na Rede. Say Adinkra, articuladora
da Mocambos na Bahia, Dani Negra Jeje, educadora e multiplicadora em
cultura digital, André Carlos, Diretor da Associação do Quilombo
Lagoa Santa em Ituberá, Cauê Rocha, cineasta e integrante da Teia de
Agroecologia da Bahia e Sérgio Melo, integrante do Coletivo Nordeste
Livre, colaborador da Casa do Boneco e da Mocambos, formarão as
representações da Bahia juntamente com os guris Uil Xapanã de 4
anos e Mateus Melo de 3 anos. Com os elementos de Ogum e Exu, vamos
para mais uma dinâmica quilombela!
Casa
de Cultura Tainã
Rua
Inhambu, 645 – Praça dos Trabalhadores - Vila Castelo Branco
13.061.300
Campinas - SP
taina@mocambos.net / www.mocambos.org -
telefones : 19
3228.2993 - 19
3324.3973
14/04/2013
Omo Ylú- o reencontro dos filhos dos tambores para sustentação de nossas raízes!
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| Mestres Lumumba e Jorge Rasta e o "Mestrinho" Hugo Xoroquê: a felicidade do primeiro Ylú pronto! |
Em 2008 quando cheguei em Campinas para o
Encontro Nacional da Rede Mocambos, a única ideia que eu tinha do
que iria acontecer, era que ia ter tambor, pois era uma informação
que tinha no convite: “leve o seu tambor”. Cheguei na Casa Tainã
e me envolvi em uma África que ainda não tinha tido contato, pois
estava limitado ao meu afro regionalismo baiano, embora eu já
tivesse contatos superficiais com outros segmentos de africanidade no
Brasil.
Uma malandragem do Sul do País com a boemia
preta do Mestre Giba Giba, a maestria de Mestre Chico, a importante
oficina e repasses de saberes do Mestre Batista (para sempre vivo em
meu coração) que me ensinou a fazer os grandes tambores de sopapo,
os quais nunca tinha visto, ilustravam uma história de construção
ancestral afro brasileira desenvolvida no sul do país paralelo à
uma história de construção e luta de igual importância como a daqui da Bahia.
Nesse encontro, conheci o senhor dos 9 anéis
d' Ogum, Mestre Lumumba, que unido às mestras Yalorixás, fechavam o
ciclo de griôs de diversos estados do país e seus aprendizes.
Mestre Tc e sua visão panorâmica de nossa história e instrumentos
de luta, agregou nesse encontro as múltiplas versões das
manifestações e tambores afrodescendentes, desde o samba de bumbo,
até o moçambique, passando ainda pelo maracatu e suas alfaias, as
quais me encantaram ao criar uma visão mais primitiva dos paulistões
do samba reggae da Bahia e por, na sua originalidade, serem
esculpidos como os antigos tambores de terreiros. Tive contato ainda,
com os Tambores de Aço, da família Tainã, que fechava uma vivência
fantástica de musicalidade, me deixando saudosista da banda de
percussão que outrora participei com instrumentos acústicos,
resultado de um laboratório de percussão, Abedé Orum
Voltei pra Bahia enfeitiçado com a
versatilidade, variedade e poder dos tambores...
Nesse mesmo ano, caminhava na mata do Quilombo
D'Oiti, com o grande conhecedor da mata Cumpadi (Cecílio),
ele me mostrou uma árvore secular de aproximadamente 40 metros e com
a circunferência de quase 12 metros, um Louro Óleo, árvore de onde
é proveniente o óleo de copaíba. Esta árvore havia morrido e
tombava sobre outras árvores com suas raízes já levantadas. Assim
que vi aquela paisagem, transferi todo meu anseio pela construção
de tambores, a priori pensei em alfaias, o que conflitava com as ideias
de Cumpadi de fazer uma canoa ou um pilão pra moer dendê, também
pensamos em fazer tudo, por que a árvore era imensa e daria pra ter
várias práticas com sua madeira. Entretanto, em minha mente reinava
principalmente, a ideia dos tambores e a possibilidade de
distribuí-los pelos nossos núcleos de formação, como um "totem" da
Rede Mocambos.
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| Griots da Mocambos contemplando a grande árvore |
A ideia daquela árvore virar muitos tambores
foi transferida para muitas pessoas que visitavam nosso quilombo, ao
se depararem com aquela imensa árvore no caminho tradicional de
nossa trilha. No Fórum de Turismo Ori Mole, em agosto de 2011, ao visitar
a árvore com Mestre Lumumba, Mãe Beth de Oxum e sua família, recebi do
Mestre uma resposta emocionante e motivadora de que, a partir daquele
momento ele encaminharia energias e esforços para executarmos esse
projeto.
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| No pé do baobá do quilombo: sonhos sendo plantados! |
Em 2013, como consequência da premiação do
Edital de Interações Estéticas da FUNARTE / MINC, de residência em
Pontos de Cultura, o Mestre Lumumba retorna à Casa do Boneco com as
condições de realização do projeto Omo Ylú – o reencontro dos
filhos dos tambores. Cronologicamente eu, Mestre Lumumba e Hugo
Xoroquê, formamos uma corrente de 3 gerações. Lumumba sexagenário,
eu, quarentão, Hugo aos 18 anos, expressando também o ciclo de
passado – presente – futuro, princípio básico da educação
africana. Hugo se tornou um afilhado, tanto
do Mestre quanto da proposta em si: a ele foi entregue a
responsabilidade maior do aprendizado e execução de algumas etapas
do projeto.
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| Produção de ferramentas para esculpir os tambores |
Inicialmente foi desenvolvida uma oficina de
construção de ferramentas apropriadas ao trabalho. Foram feitos
inchós, machados curvos pra escavação, formões a partir do
desenvolvimento de técnicas de forjaria e têmpera para o corte das
ferramentas, tendo como resultado o aprendizado da confecção e o
conjunto de ferramentas necessárias para cada aprendiz. Foi removida
a madeira da Fazenda Modelo Quilombo D'Oiti, com o devido cuidado
para não rachar. Foi cortada em pedaços para fazer os instrumentos.
As três primeiras “toras “ da base da árvore foram trabalhadas
na forma de tambores da etnia ijexá, conhecidos como Ylú-ni'lá
(tambor grande), formando um trio de ijexá.
A troca de saberes vivenciada no processo de
identificação da árvore, da confecção das ferramentas, coleta
da madeira, convívio coletivo, do comer, beber e dormir junto,
trouxe no nosso contexto, um fortalecimento da gestação da voz
coletiva, da voz primeira que atingiu todos os povos no princípio
evolutivo do homem: a comunicação.
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| O mestre, o mestrinho e Cumpadi tratando a madeira (esculpindo o tambor) na mata do Quilombo D'Oiti |
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| O primeiro Ylú sendo concluído |
O projeto encontra-se a todo vapor,
concentrando nesse momento as vivências no Ponto de Cultura
Associação do Culto Afro Itabunense – ACAI (coordenado pelo
queridíssimo Lula Dantas) e planejando a sua expansão para o
Assentamento Terra Vista, em Arataca e nas Aldeias Pataxó Hãhãhãe
e Tupinambá de Serra do padeiro.
Texto: Jorge Rasta
Contribuições: Mestre Lumumba
Edição: Say Adinkra
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| Mestrinho Hugo, completou 18 anos, numa bonita caminhada de saberes! |
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| A Felicidade Guerreira do Mestre Lumumba: no axé sempre! |
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| O grande tambor Ylu comandando a celebração da ACAI: Jorge Rasta, Lumumba, Hugo e o querido Lula Dantas |
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| Para medir um pouco do trabalho compare um formão simples que usamos para esculpir um djembê e o formão redimensionado para esculpir um Ylú... verdadeiras ferramentas de Ogum! |
26/03/2013
Terra, água, folha, ar, pena e axé: Teia no Trecho da Aldeia Pataxó Caramurú Catarina Paraguaçú!
"A
Teia Agroecológica nos agrega, recupera o sentimento de que somos
uma só nação. Tupinambás, quilombolas, pataxós e os descendentes
dessas etnias que são chamados de “sem terra”, como se não
fossem os legítimos herdeiros dos mais antigos dessa terra. Até que
ponto a ilusão nos confunde?" Mestre Lumumba
| Encontro da Teia sempre pautado por colaboração e solidariedade |
Terra,
água, folha, ar, pena e axé: assim foi
a primeira experiência prática da Teia Agroecológica dos Povos da
Cabruca e Mata Atlântica em 23 e 24 março de 2013 na Aldeia
Caramurú Catarina Paraguaçú em Pau Brasil, Sul da Bahia,
integrando comunidades de várias regiões da Bahia entre
quilombolas, pequenos agricultores, assentados e índios de várias
etnias.
O
Povo Pataxó Hã hã hãe, desde a década de 70 lutava para
retornar às suas terras em Pau Brasil, ocupadas por fazendeiros de
gado. Depois de 30 anos de luta, a aldeia foi reintegrada ao povo
indígena em total degradação e nenhuma providência do Estado:
terras ressecadas, ácidas e insuficiente fluxo de água provocado
pela extrema devastação e desmatamento da floresta e suas
nascentes. Houve uma profunda alteração no bioma natural da
reserva indígena, o que sucumbiu a rica cobertura biológica da
mata atlântica, isso ocorreu como um resultado de uma produção
capitalista e latifundiária.
| Parte do grupo reunido organizando a divisão de tarefas |
A
atividade, auto gestionada pelos presentes, foi conduzida com a
divisão dos seguintes grupos: limpeza e coleta de adubo no curral;
construção e povoamento do viveiro de mudas (açaí, cupuaçu,
guaraná, abacaxi, juçara, canela, cana, coco); preparação e
balizamento do plantio do SAF ( sistema agroflorestal ); cozinha –
produção de alimentos da atividade; construção de banheiros secos
e dependências coletivas; comunicação; produção e manutenção
do evento.
Após
um breve diagnóstico da aldeia, que se uniu aos conhecimentos dos
ancestrais dos anciões e griots da terra, um “adjunte”, digno
dos povos que o compõe com rodas de saberes conduzidas por Mestra
Val (parteira), Cacique Nailton, Cacica Maria Munez, Líder Joelson,
Mestre Lumumba, Mestre Jorge Rasta e outros, trouxe para o evento
uma programação especial com técnicas de plantio e estratégias
de combate de pragas, rituais sagrados e de cura, produções
artísticas e culturais, vivência sagrada a exemplo da roda das
mulheres que exaltou toda a mística e empoderamento feminino e do
ritual do plantio que culminou em uma inesquecível chuva precedida
por um sol escaldante.
| No ritual do plantio, a chuva, generosa, deu o sinal da proteção dos deuses. |
Essa
foi a primeira intervenção da Teia após o planejamento realizado
em fevereiro desse ano, significou apenas o início de um ciclo que
percorrerá todas as comunidades envolvidas, pautado sobretudo pelo
compartilhamento e solidariedade entre os povos, moldando uma atuação
que deseja construir uma renovação na perspectiva agroecológica no
Território Litoral Sul.
O
evento contou com uma importante doação de alimentos do PAA de
Ituberá, de Itacaré e Pau Brasil e teve diversos colaboradores
locais de Pau Brasil e Arataca. Sua construção ocorreu a partir da
articulação da Teia que reúne o Instituto Eco Bahia, a Casa do
Boneco de Itacaré, o Assentamento Terra Vista e a Aldeia Caramurú
Catarina Paraguaçú, recebeu ainda apoio do Neppa e de estudantes
da UFRB.
13/03/2013
Nossa Rede já tem nome: Teia Agroecológica dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica!
Nossa Teia Agroecológica dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica, formada a partir da Jornada de Agroecologia da Bahia, que ocorreu em novembro de 2012 no Assentamento Terra Vista, Sul da Bahia, está indo para mais um encontro. Dessa vez uma intervenção ocorrerá na Aldeia Caramuru Catarina Paraguaçú em Pau Brasil. A programação desse encontro envolverá implantação de SAF e horta circular, vivencia de mulheres, oficina de tambores e diagnóstico comunitário.
11/03/2013
Projeto Mandingando com Erê
Proposta de Hugo Xoroquê ( membro da Casa do Boneco ) premiada pelo Prêmio Agente Jovem do Ministério da cultura terá suas atividades práticas iniciada neste mês de março.
16 e 17 de Março - Comunidade Quilombola de Lagoa Santa
21 a 23 de Março - Comunidade Quilombola de Serra de Água
16 e 17 de Março - Comunidade Quilombola de Lagoa Santa
21 a 23 de Março - Comunidade Quilombola de Serra de Água
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