02/02/2013

Carta da I Jornada de Agroecologia da Bahia



Arataca, 01 de dezembro



Nós, os mais de quinhentos participantes da I Jornada de Agroecologia da Bahia, tupinambás, quilombolas, pataxó hã-hã-hãe, pataxó, assentados e assentadas, acampados e acampadas. Homens, mulheres, jovens e crianças, reunidos entre os dias 26 de novembro e 01 de dezembro de 2012, no assentamento do MST, Terra Vista, no município de Arataca, afirmamos o nosso compromisso com o modo de vida agroecológico.

Ao longo dos seis dias de jornada nos debruçamos sobre práticas agrícolas, educação, movimentos sociais, cultura, fortalecimento de Identidade e de luta popular, contextualizando-os com a agroecologia. Compreendendo que a agroecologia é mais que um modelo de técnicas agrícolas, pautamos o nosso evento nas mais diversas linguagens, não deixando de lado a necessidade de envolver as crianças e adolescentes na construção do mundo que queremos.

Lamentamos o modelo antidemocrático, latifundiário, capitalista, oligárquico que ainda prevalece na Bahia e no Brasil, assim como a ausência de políticas públicas eficientes que contemplem a dignidade dos povos camponeses. Elencamos como problemáticas que dificultam a concretização da agroecologia: a precariedade da educação no campo e o fechamento de escolas no campo, o êxodo forçado da juventude camponesa, ausência de formação efetiva e contextualizada para os professores, a falta equidade de gênero, submissão do Estado ao grande capital, uso de agrotóxicos, inoperância de políticas públicas que permitam o escoamento da produção agroecológica, modelo de segurança pública pautado em uma tradição escravocrata de extermínio e opressão dos nossos povos, dentre outros.

Indignamo-nos com a incompetência e seletividade dos órgãos do governo estadual e federal em executar políticas públicas que garantam a titulação e permanência dos povos do campo e da floresta em seus territórios.

Afirmamos então, nossa capacidade de resistência, apresentando com nossas vidas e nossos esforços nos aprendizados cotidianos, outra forma de desenvolvimento baseado no modelo agroecológico e de uma educação libertadora, construtora de outro modelo de pensamento, produzindo, trocando e comercializando alimentos de qualidade, sem agrotóxico, fortalecendo a organização, o associativismo, respeitando as diferenças étnicas, de gênero e geração, valorizando a cultura e a arte do nosso povo.

Comprometemo-nos em expandir a articulação e manter permanentemente mobilizada a Rede de Agroecologia organizada nesta jornada com o objetivo levar aos diversos territórios da Bahia a matriz agroecológica de produção e transformando em tradição a realização da Jornada de Agroecologia na Bahia como ponto de encontro, troca, ação e mobilização permanente dos povos.

“Uma caminhada de passos largos e sem direção, é tempo perdido. Uma caminhada de passos curtos com objetivos, demora, mas um dia se chega lá.”


Jornada de Agroecologia da Bahia - um resgate da utopia e da união dos povos.


"Se temos de esperar, que seja para colher a semente boa que lançamos hoje no solo da vida. Se for para semear, então que seja para produzir milhões de sorrisos, de solidariedade e amizade." Cora Coralina

Na Jornada de Agroecologia, Zumbi encontrou o MST

O Território Litoral Sul sediou entre o dia 26 de novembro à 1º de dezembro de 2012 , a I Jornada de Agroecologia da Bahia, no Assentamento Terra Vista, na cidade de Arataca, Bahia. O evento teve como tema central “Agroecologia: uma proposta de soberania do território baiano”, reuniu diferentes povos de comunidades tradicionais da Bahia para a troca de saberes e de conhecimentos sobre Agroecologia: indígenas, quilombolas, assentados, agricultores, ativistas diversos, estudantes.

O evento teve como objetivo proporcionar um espaço para a reflexão sobre a agroecologia e o desenvolvimento sustentável dos povos e comunidades tradicionais do território baiano. Para isto, uma programação especial foi cuidadosamente executada para troca de saberes entre diversos segmentos de saberes, aprendizados práticos, construção de uma avaliação e definição de encaminhamentos sobre a Prática Agroecológica no Estado. 

Mística de Abertura da Jornada


Seria impossível conseguir expressar o que vivemos no Assentamento Terra Vista nesta I Jornada de Agroecologia da Bahia. As dificuldades anteriores pareceram necessárias para a construção daquela atmosfera formada pela nossa gente, pela energia e trabalho de tod@s que lá estavam e que colaboraram das suas bases de atuação para que aquela semana especial acontecesse.


Tivemos a oportunidade de vivenciar saberes indígenas, quilombolas, campesinos, sagrados, femininos, da natureza, do coletivo, das trocas, das lutas, de nossa gente brasileira. Diante de nossas diferenças, encontramos respostas para nossas semelhantes dificuldades e conseguimos reconhecer que juntos temos soluções viáveis e que, caso não tenhamos apoio governamental como gostaríamos, assim mesmo temos a nossa força para fazer acontecer. Todavia, foi importante perceber que temos alguns d@s noss@s também atuando no Estado (mesmo que poucos) e alguns desses com suas colaborações nos fazem crer que ainda podemos confiar e dar as mãos para construir o mundo que desejamos. Assim mesmo, temos que reaprender a fazer sem apoio, sem burocratizar tanto e acredito que vivenciamos isso da melhor forma possível.






O espaço da Jornada nos fez perceber o quanto é importante estarmos juntos e colaborativos na luta de melhoria de nossas comunidades. O Universo Criador com Toda sua amorosidade nos proporcionou um espaço de convivência intenso, fluídico e que nos mostra que existe uma transformação maior acontecendo e que somos tod@s gotas importantes no processo, mas que sozinh@s, somos somente mais um tentando, porém juntos, somos muitos fazendo acontecer.


Casa do Boneco realizou importante contribuição na Jornada, além das atividades culturais, um importante debate sobre educação popular , racismo foi travado, além de demarcar a perspectiva cultural na concepção agroecológica



Como consequência do evento, nasce uma Rede de Agroecologia que fará da Jornada uma disposição permanente de luta, encontros, trocas, compartilhamento de práticas e fortalecimento conjunto.

Say Adinkra e Mayne Santos


29/10/2012

Encontro Laroiê de Comunicação Comunitária


Data: 10 de novembro - sábado


16h - Roda Exú
Colaborador - José Balbino
Comunicação e construção dos estereótipos da sociedade e da mídia
Analise da mídia comunitária e da mídia convencional: enxergando confluências (im) possíveis
Linguagens e movimento de comunicação livre e o direito humano à comunicação

19h - Roda Tambor
Cultura Digital e a garantia dos direitos das comunidades tradicionais - a Experiencia dos Índios Online - Jaborandy e Potira Tupinambá
Tambor e Oralidade - Pedagogingas comunicativas - Mestre Jorge Rasta
Audio Visual e o direito à informação - Cinema e Agroecologia no Cine Mocambo - Cláudio Lyrio

20 h - Cine Laroiê

Data: 11 de novembro - Domingo  

9 às 12h - Montagem de uma rádio livre com transmissão ao vivo
Colaborador - Sérgio Melo
Debates: O papel das rádios livres como meios de comunicação popular e instrumentos de transformação social/ Legislação, direito à comunicação, liberdade de expressão 
Relato de experiências com rádios livres em comunidades indígenas e no Ponto de Cultura Coco de Umbigada, de Olinda - Pe, integrante da Rede Mocambos.

Local: Casa do boneco de Itacaré - Rua Praia da Concha 41 Bairro concha
Itacaré Bahia - contato casadobonecodeitacare@gmail.com 73 9133 4104


IF Baiano Campus de Itapetinga continua o ciclo de intercambios com os seus estudantes e a Casa do Boneco: Por uma pedagogia anti racista!

 No fim de semana de 27 e 28 de outubro, a Casa do Boneco voltou a receber grupos de estudantes do IF Baiano Campus Itapetinga. Graças ao esforço de um grupo de professores daquele campus, desde o ano passado, a Casa do Boneco consegue fortalecer seu Programa de Educação Anti Racista  promovendo oficinas , vivências e rodas de conversa onde estudantes podem experienciar da vida comunitária do coletivo tanto em sua sede na cidade quanto na Fazenda Quilombo D'  Oiti. O conjunto de atividades que envolve exibição de vídeos, oficina de percussão, oficina de artesanato, estética negra, trilha, apresentações culturais e rodas de conversa, conseguem trazer a tona temas importantes como o racismo, cultura negra, intolerância religiosa, diversidade, equidade, cumprindo com o papel da educação que muitas vezes os muros da instituição não oferecem: o contato com a vida, com o outro, com a diferença, com a desmistificação dos mitos que a sociedade capitalista impõe. Em novembro, a Casa do Boneco estará indo para Itapetinga, para dar continuidade aos intercâmbios, dessa vez na própria instituição.








06/08/2012

XI Caruru de Ibejis / 2012


A história do Caruru e a trajetória da Casa se confundem. Por que ambos contextualizam ciclos de dificuldades e limitações extremas e de conquistas e vitórias. Aos 14 anos da Casa, Jorge Rasta e sua então companheira Juscely Magalhães são surpreendidos por uma gravidez inesperada que apesar de bem recebida sofreu as turbulências da especulação imobiliária que aumentou o custo do arrendamento do imóvel sede da Casa do Boneco, para que este fosse destinado a estrangeiros. Um sítio onde o casal também residia. Depois disso o coletivo ocupou um terreno, onde até hoje se vive e se constrói. Teve início então, o segundo terço de uma sagrada trilogia cronológica de sete, quatorze e 21 anos, firmando e confirmando, nos princípios do candomblé o amadurecimento espiritual e material. Lori Mafoane nasce com 6 meses e meio, resisitindo com uma invejável saúde e inteligência. Assim, surge a obrigação do CARURU de IBEJIS, em agradecimento a todos os Orixás, pela vida, pela resistência, pela proteção. Uma celebração pelos erês, pela vida que resiste e nos faz andar




Seja um doador do Caruru de Ibejis!

Lista de doações:
Panelas:

- 1 panela tipo caldeirão de 125litros
- 1 panela tipo caldeirão de 100 litros
- 2 panelas tipo caldeirão de 60 litros
- 1 panela tipo caçarola de 60 litros
- 1 panela tipo caçarola de 40 litros


Alimentos e bebidas:
- 2 sacos de quiabo
- 40 kilos de frango
- 40 litros de vinho tinto suave
- 10 kilos de peixe
- 200 pães de sal

Outros itens:
- 1 diária de aluguel de som 
- 2 diárias de veículo
- 1 tanque de gasolina
- 300 blusas pintadas
- impressão de 200 convites 
- impressão de banner em lona 
- 50 hospedagens



Conta para doação:
Casa do Boneco
Conta corrente 5016 -4 agencia 4105 - x 
Banco do Brasil

Entre em contato por email casadobonecodeitacare@gmail.com !

24/07/2012

Encontrinho Ylê d'Erê e XI Caruru de Ibejis! Programação e Inscrição!


 Inscrições Limitadas: 2 brinquedos + Ficha de inscrição (envie-a preenchida no email: casadobonecodeitacaré@gmail.com)


Ficha de Inscrição obrigatória pro Encontrinho - caso não possa confirmar, pode-se optar por preencher e mandar no estatus "Reserva a confirmar"


Estamos organizando nossas inscrições, especialmente para cuidar de alojamento e alimentação, além de garantir que o limite de pessoas que comportam as atividades não se extrapole, segue abaixo nossa ficha de informações!
ficamos no aguardo
xeros afetuosos 

1. Nome Completo:
2. idade:
3. Data de Nascimento:
4. Previsão de turno e dia de chegada e partida:
5. Informar : ( ) tenho como me hospedar em Itacaré por conta própria ( ) preciso de cobertura de hospedagem do evento ( ) tenho disponibilidade de barraca e posso acampar
6. Endereço:
7. Coletivo ou comunidade que faz parte se houver:
8. Me comprometo em confirmar minha inscrição 10 dias antes do evento e / ou de comunicar caso haja impedimento de minha presença

Valor da inscrição: 2 brinquedos a serem entregues durante o evento- podem ser reciclados, usados, de preferência educativos e com temáticas afro indígenas.

OBS. o Encontrinho será um evento bastante limitado no número de inscrição, estaremos solicitando bastante seriedade das pessoas em garantir inscrição com participação, tendo em vista que toda inscrição estará limitando quem tente participar do evento depois das inscrições encerradas. Assim, pedimos a gentileza e empenho nessa comunicação
















13/07/2012

Em curso, a guerra em Rio dos Macacos...


Encontrinho Ylê D'erê e XI Caruru de Ibejis...


"Temos muitos zumbisonhos crescendo com nossos filhos, numa infância que a maioria de nós militantes não tivemos, que nos foi sequestrada em algum nível. Percebemos muitas famílias e coletivos devolvendo pra as crianças o direito a uma infância negra. Isso significa uma transição pra o modelo educacional, que tanto resiste no âmbito formal nesse país racista, mas já é fato cotidiano em nossa criatividade ilimitada e na sabedoria de nossos griôs. Sem falar que essa geração terá muito mais possibilidade de promover significativas rupturas e processos de mudança que não conseguimos. Vamos fazer nossos filhos se encontrarem?" Saudações Mocambólicas,