08/07/2011

Mais uma denúncia de Racismo e extermínio do povo negro: Quilombola é morto por policial dentro de casa no Quilombo de Volta Miúda - Caravelas BA

Em pleno São João, dia 24 de junho, quando o nordeste voltava sua atenção para as festas juninas, um fato grave não ocupou nossa mídia: o quilombola Diogo de Oliveira Flozina, 27 anos, pai de 2 filhos, teve sua casa invadida por 3 policiais a paisana que chegaram na comunidade de carro comum em pleno meio dia. Testemunhas da comunidade que não desejam se identificar, pela gravidade das ameaças que sofrem, disseram que os policiais mataram Diogo por volta de 12:30h e que ficaram na casa com ele até 14h, quando uma viatura chegou para levar o corpo. Nessas horas que a polícia estava na comunidade, um menor de 15 anos foi espancado e ameaçado de morte por se aproximar do local, que os policiais mantiveram isolado de outras pessoas.

A viatura então seguiu para o município de Nova Viçosa, para um bairro onde já existem ocorrências de tráfico de drogas; depois seguiram para o hospital de Teixeira de Freitas, lá e na delegacia o corpo foi apresentado como de um traficante. O boletim de ocorrência consta que o rapaz foi morto depois de uma batida policial com trocas de tiro numa boca de fumo em Nova Viçosa.

O Quilombo de Volta Miúda, assim como outros da região, vive conflitos permanentes com polícia e empresas de eucalipto e carvão. A comunidade acredita que Diogo foi morto por estar extraindo carvão e incomodando os interesses das empresas do ramo.

"Aqui os quilombolas vivem aterrorizados, trancados em suas casas, silenciados pela opressão, eu coloco minha boca no mundo, mas sei que posso morrer a qualquer momento por isso, precisamos de ajuda!" relata um quilombola que não deseja se identificar.

O quilombo de Volta Miúda é certificado pela Palmares, tem 120 famílias em estado de preocupante pobreza e sobrevivem com muito sacrifício por conta da dominação das empresas de eucalipto. Na região, vive em conflito com polícia e empresários, além da Volta Míúda, cerca demais 7 comunidades que se sentem isoladas, sem apoio e cobertura nenhuma dos poderes públicos.

O Quilombo de Volta Miúda pede socorro, antes que outras tragédias aconteçam!

A Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia tem obrigação de por fim ao racismo policial que extermina nosso povo, prender os assassinos de Diogo e exonerar seus superiores!

Os organismos de Direitos Humanos e de Igualdade Racial devem obrigatoriamente nos assegurar cobertura, proteção e reparação em caráter emergencial para além de suas justificativas burocráticas e de gabinetes!

Hoje dizemos: Aqui estamos! Resistimos!

´Nós somos os vingadores da morte.
A nossa estirpe não se extinguirá enquanto
houver luz no amanhecer´

Irmãos e irmãs.

Não é nossa a casa da dor e da miséria. Assim a pintou aquele que nos rouba e engana.
Não é nossa a terra da morte e da angústia.
Não é nosso o caminho da guerra.
Não é nossa a traição nem tem cabimento no nosso caminho o esquecimento.
Não são nossos o solo vazio e o céu oco.

Nossa é a casa da luz e da alegria. Assim a geramos, assim lutamos por ela, assim a faremos crescer.
Nossa é a terra da vida e da esperança.
Nosso é o caminho da paz que se semeia com dignidade e se colhe com justiça e liberdade.
(mensagem zapatista)

Saudações Mocambólicas!


03/07/2011

Casa do Boneco promoverá o I Fórum de TBC de Itacaré!



A Casa do Boneco de Itacaré, através do Centro de Afro desenvolvimento Fazenda Modelo Quilombo D'Oiti e de seu empenho há 7 anos em consolidar o Programa de Sustentabilidade Comunitária, vem, como o apoio do Ministério do Turismo, promover o primeiro Fórum de Turismo de Base Comunitária de Itacaré que tem por objetivo difundir e valorizar o conceito e práticas de TBC.

A Casa do Boneco, integrante da Rede Mocambos e da Rede Nacional de Turismo Solidário (TURISOL), estará assim realizando entre os dias 12 e 14 de agosto um evento de âmbito local que tem como público-alvo comunidades tradicionais, estudantes, profissionais do turismo e poderes públicos. O evento terá a participação de representantes governamentais, representantes de experiencias de TBC de outros estados, a TURISOL e a Rede Mocambos que colaborarão para incentivar um plano de trabalho regional e o fortalecimento de uma rede de turismo comunitário no Estado da Bahia.


31/05/2011

Batateira, Quilombo situado numa ilha no município de Cairu BA, tem passado nos últimos dois anos por momentos de terrorismo por um pseudo fazendeiro



Casa derrubada em um dos ataques.

As ameaças continuam e a comunidade pede socorro!

A comunidade quilombola de Batateira, localiza-se na Ilha de Tinharé, nas proximidades da Vila de Garapuá e pertence ao município de Cairu. Como trata-se de uma ilha a natureza de sua área é de responsabilidade da União. Os moradores que ocupam essa área estão ali há mais de 100 anos. Tendo toda a ancestralidade comunitária e de parentesco reconhecida pela Fundação Cultural Palmares. Trata-se de uma comunidade de cerca de 30 famílias que sobrevivem em situações precárias, em casas em sua maioria de taipa, palha e madeira. Na comunidade não tem energia elétrica e é desprovida dos principais serviços básicos que qualquer cidadão tem direito

O Conflito nessa comunidade começou em 2009, quando houve a mobilização de pedido de reconhecimento quilombola junto a Fundação Cultural Palmares. A partir daí, passaram a acontecer frequentes visitas à comunidade e com seguidas ameaças do Sr Manoel Palmas Che Filho, filho de um ex-prefeito de Cairu. Em maio de 2010, o conflito teve início quando numa visita do Maneca Ché, como é conhecido, mais cinco policiais fardados e outros homens, todos armados com armas de fogo, diziam ter mandato judicial para estarem ali, além de reforçar as ameaças derrubaram o pier que a comunidade usava como embarque e desembarque.

Depois que a Fundação Palmares expediu a certidão quilombola à comunidade, os seus moradores voltaram a receber novas ameaças, foi quando em 09 de setembro de 2010, Manoel Che Filho invadiu a comunidade com mais 12 homens, entre eles 3 policiais a paisana. Eles chegaram às 7h da manhã e ficaram até às 15h. Nesse período de 8h que permaneceram na comunidade, derrubaram mais 3 casas, atiraram várias vezes pra cima, colocaram resolvers na cabeça de mulheres e adolescentes, xigaram os moradores, colocaram a liderança da comunidade Claudeci numa roda com 12 homens e bateram no seu rosto, ameaçando sua vida, na frente das crianças da comunidade, inclusive seu filho de 5 anos, que tem demonstrado traumas de ter presenciado a violencia com sua comunidade e sua família.

A comunidade acredita que o Sr. Manoel vendeu aquela área para um estrangeiro para que se construa no local um Hotel. A SPU afirma que nem ele nem a comunidade têm o registro de uso da Ilha em questão. Tradicionalmente a comunidade já tem o direito de estar ali, por uma ocupação centenária e ancestral.

"Maneca Che" em audiencia pública

O comandante da Polícia Militar de Valença, major José Raimundo Carvalho Pessoa, esclareceu que a atuação ilegal de policiais militares que deram apoio a um dos proprietários da fazenda Tapeirinhas, correu à revelia do Comando da 33ª Companhia Independente da Polícia Militar de Valença. Em depoimento, os policiais denunciados negaram a participação no caso denunciado e recorreram ao direito de falar somente em juízo e na presença do advogado. Não se tem informação que o processo judicial foi aberto.

Em outubro de 2010 foi realizada uma audiência pública organizada pela SEPROMI, que teve como objetivo de ouvir, avaliar e traçar estratégias para solucionar os sucessivos conflitos ocorridos na Comunidade de Batateira. Participaram da audiência autoridades, o pseudo fazendeiro Maneca Che e seus representantes, a sociedade civil representada pelos movimentos de pescadores, Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra, o Conselho Pastoral da Pesca, Quilombolas de outras regiões, Representantes do INCRA, DPE, SPU, Governo do Estado, Prefeitura de Cairu e etc.

Há poucos dias, as ameaças retornaram, o pseudo fazendeiro insiste que vai voltar na comunidade e derrubar o resto das casas, a liderança da comunidade vem sendo seguida e ameaçada de morte, as famílias estão apavoradas.

Não existe nenhum advogado assistindo a comunidade, o que gera uma preocupação ainda maior. No último Sábado dia 28 de maio, o Sr. Manuel Che retornou à comunidade com mais 7 homens, novamente fazendo ameaças, alegando possuir uma ordem judicial para não permitir nenhuma construção naquela ilha (mas não mostrou o documento). Na mesma ocasião ele e seu grupo fizeram a derrubada de mais uma casa na comunidade e a ameaça voltar com um grupo de criminosos para aterrorizar e levar tudo abaixo nos próximos dias.

As famílias, em especial as crianças, estão apavoradas. A polícia, apesar de acionada durante nova invasão, só apareceu na comunidade horas depois e em nenhum momento consegue gerar nenhum tipo de proteção à mesma. Todos os indícios e o histórico desses dois anos revelam na verdade uma polícia comprometida com a ação criminosa do pseudo fazendeiro até por que, nenhum criminoso age tão abertamente como esse senhor, e nenhuma autoridade conseguem garantir sua prisão preventiva.

Esse breve texto tem como intuito chamar a atenção dos organismos e instituições estaduais, nacionais e internacionais a respeito da proteção dos direitos humanos, dos direitos das crianças e dos adolescentes, dos afrodescendentes em suas comunidades quilombolas e dos direitos das mulheres:

A comunidade de Batateiras no município de Cairu Bahia não pode ficar sem assistência jurídica!


Um criminoso que faz abertamente esse tipo de ação, deve ter imediatamente sua prisão preventiva efetuada, assim como os seus comparsas!

A justiça e a segurança pública precisa funcionar!


A Segurança Pública não pode estar a serviço de criminosos e gananciosos e precisa se comprometer com a proteção dessa comunidade!


Não se pode esperar que mais lideranças padeçam a espera de uma ação efetiva!


O INCRA precisa agilizar o processo de Titulação, Identificação e Demarcação das terras Quilombolas e em especial às comunidades que estão em processo de conflito.


Conselho Quilombola do Estado da Bahia

Conselho Territorial Quilombola do Sul e Baixo Sul da Bahia

Rede Mocambos - Núcleo de Formação Continuada do Sul da Bahia

19/05/2011

Grupo de Estudos afro

Tem reinício o grupo de estudos afro da Casa do Boneco. Dessa vez, o grupo estará empenhado em estudar o continente africano, esses estudos estarão concentrados em um número de até 2 países por pessoa, que passarão 1 ano se dedicando a pesquisar:


  1. História do país – antiga, média e contemporânea
  2. Cultura, tecnologia e Ciência

  3. Etnias e povos

  4. Temas livres

A cada 2 meses, os estudos internos serão compartilhados em seminários.

Ano I:

Hugo – Sudão e Costa do Marfim

Say – Congo e Egito

C – Quênia e Mali

Dani – Marrocos e Etiópia

Jorge Naníbia e Argélia

Núbia – Líbia e Zâmbia

Nego Jorge – Moçambique e Senegal


Atividades do seminário:
  • preparar material escrito e audio visual

  • alimentar o wiki com a resultado dos estudos

O Grupo é um espaço aberto de participação, escolha seus países e faça parte desse coletivo de saberes pretos!

23/04/2011

Tem início as intervenções 2011 da Casa do Boneco pró lei 10639/03 no IF Baiano


No último dia 19 de abril, aconteceu no IF Baiano Campus Uruçuca, a oficina que deu início à intervenção no Instituto com intuito de construir os caminhos de uma pedagogia anti racista.
Cerca de 35 educadores de nível médio e técnico profissionalizante, com a presença ainda da reitoria e de educadores do Campus de Itapetinga, participaram das atividades com intensos e importantes diálogos.

Nessa primeira etapa, depoimentos dos educadores possibilitaram um diagnóstico inicial da realidade institucional, de capacidades e desafios. Fizeram parte dos trabalhos a exibição de vídeos documentários que permitiram maior ampliação dos debates, assim como atividades em subgrupos para construção de propostas para o grupo implementar durante o ano.

Espera-se desenvolver um conjunto de ações que permitam expandir a formação dos educadores, a abordagem pedagógica, qualificando conteúdos, atividades e projetos.

A Casa do Boneco e o IF Baiano, desde o início do ano vem estreitando relações no intuito de promover ações colaborativas nas áreas de educação, agroecologia, solos, bioconstrução, cultura e relações étnico raciais



01/04/2011

Oficina de Tambores de Congada e Folia encerra a II Kubongola Ori Mole



Entre 04 e 08 de abril, Itacaré se africanizou um pouco mais. Quando um Griô está entre nós, a África pulsa em nosso território com mais vigor.
Mestre Antonio é para além de palavras e elogios, para além de expectativas, Mestre Antonio é transcendencia de beleza, ideologia e sabedoria.
Uma semana na confecção de tambores de congada e folia e muitas lições de felicidade, de ancestralidade, do sexo das árvores e dos tambores, da humildade e paciencia, do sorriso e do cuidado.
Ele nos deu seu exemplo que marcou muito além do que a técnica do tambor, nos presenteou a técnica da vida, da colaboração, da solidariedade, da resistência...

E mais uma Kubongola se encerra!
Valeu Mestre Antonio, Mestre Jorge, Dani, C, Bea, Bianca, Nego Jorge, Lori, Tiago, Bruno, Davi, Luis e Ludi e suas crianças, Luís quilombola, Alafim, Hugo, Nubia, Marcos, Ordilei, kate, Mither, Jó, Juscely, Juli, Mailson, e Say













Oficina de Design afro em colares e tecidos

A oficina de Desingn afro, financiada pelo Ministério do Turismo, a partir do Projeto Ori Mole, que faz parte do programa de sustentabilidade comunitária da entidade, recebeu o Mestre Pereira de Belém do Pará. Depois da etapa da oficina de desing em customização de blusas e roupas, essa segunda fase, gerou além do aprendizado de tecnicas de tingimento de tecidos, uma linha inovadora de colares de missangas, gerando aprendizados importantes para o núcleo produtivo de artesanato.

As missangas sempre fizeram parte tanto do cotidiano da entidade, com sua forte relação com o candomblé, onde os fios de contas carregam em si toda uma simbologia dos orixás, por que significa proteção espiritual. Além disso, a produção de colares de missangas sempre representou uma possibilidade de geração de renda, assim, a oficina de colares pode qualificar significativamente a produção interna da Casa do Boneco, além de embelezar ainda mais os pretos e pretas daqui.

Confiram nas fotos algumas das produções