11/03/2009

Despedida de verão

No primeiro fim de semana do mês de março a Casa do Boneco de Itacaré propôs aos seus alunos uma atividade de despedida de verão na Fazenda Modelo Quilombo do Oitizeiro, com o intuito focado no capitulo II do ECA:
Do direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na constituição e nas leis.


"Eu não quero mais vender cocada!



Eu não quero mais vender geladinho!


Criança tem é que estudar pra ter um futuro arrumadinho!"






02/03/2009

Bloco Afro Brasil 2009

Foto: Laura Rodrigues

O Bloco Afro Brasil pelo seu 5º ano, organizado pela Casa do Boneco, desfilou em Itacaré tendo como participantes o mínimo de 150 pessoas entre elas jovens da comunidade de Itacaré e distrito de Taboquinhas.


Com o intuito de gerar lazer, fortalecimento a tradição e a didática afro brasileira o mesmo tem caráter comunitário sem gerar custos para seus participantes tradicionais.

Rainha Omega - mãe da criação

Foto: Laura Rodrigues

O tema deste ano é "Personalidades negras brasileiras" onde homenagearemos dentro das seguintes alas:

ala de dança com bailarinas(os) da Casa do Boneco

Foto: Laura Rodrigues

ala de dança com bailarinas do grupo Raízes do distrito de Taboquinhas

Foto: Laura Rodrigues

Ala da percussão afro

Foto: Laura Rodrigues

ala das celebridades

Foto: Laura Rodrigues

ala dos ibejis

Foto: Laura Rodrigues

Foto: Laura Rodrigues

28/01/2009

Agende-se!

Transversalidade e educação: o estudo dos principais temas contemporâneos

Os alunos da Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC, estão promovendo para o próximo fim de semana no Município de Itacaré as seguintes oficinas:

1- "sexualidade sob uma visão histórica"
Local: Bairro Santo Antonio
Data: 31/01
Horário: 09:00 às 13:00hs
Equipe: Letícia Evangelista, Graciela Soares, Talita Almeida, Vanessa Nascimento e Verônica Isabel;

2- "Sexualidade e turismo sexual"
local: Bairro Santo Antonio
Data: 31/01
Horário: 13:00 às 18:00hs
Equipe: Mariana Bisneta, Mariella Amaral;

3- "Pluralidade e diversidade cultural"
Data: 31/01
Local: Casa do Boneco
Horário: 09:00 às 13:00hs
Equipe: Jaguaracy Oliveira, Danilo Marques, Genysson Rosa, Oslan Ribeiro, Willan Januário;

4- "Movimentos Sociais"
Data: 31/01
Horário: 13:00 às 18:00hs
Local: Casa do Boneco
Equipe: Danilo Ornellas, Messias Nunes, Adriana Santos;

5- "A representação do afro Brasileiro nos meios de comunicação"
Data: 01/02
Horário: 09:00 às 13:00hs
Local: Casa do Boneco
Equipe: Michelle Mansur, Brena Leandro, Viviane Almeida e Carolina Barreto




PARABÉNS ITACARÉ! PARABÉNS MARIMBONDO! PELOS SEUS 277 ANOS




O município de Itacaré comemorou no dia 26 de janeiro seus 277 anos, nesse mesmo dia comemora-se também o aniversário de um bairro tradicional, o Marimbondo, onde rua principal leva o nome da data de aniversário da cidade, cujos moradores são remanescentes quilombolas.

Foi um dia intenso onde a CBI promoveu oficinas de dança afro, percussão e perna de pau para crianças e adolescentes do bairro pela manhã

e arrastão com a banda Afro Brasil, Teatro de Boneco, Coreografias afro e folclóricas pela tarde culminando com o belíssimo samba de roda, o qual entrou pela noite, com personalidades negras do bairro que possuem um legado histórico riquíssimo, como Dona Nete, Dona Afra, Dona Dade, Dona Nelha, Dona Mãezinha e Dona Sulí,


promovido por jovens e adolescentes integrantes da Casa do Boneco de Itacaré, os quais também são moradores do Bairro Marimbondo.



15/01/2009

Quilombo - Fazenda Modelo

A Fazenda Modelo Quilombo do Oitizeiro, situada no território da comunidade quilombola do Santo Amaro no município de Itacaré, tem intuito de fortalecer e apoiar o trabalho desenvolvido com a população quilombola pela Casa do Boneco de Itacaré. Os trabalhos se iniciaram em 2006 e são resultante de uma concepção bastante endógena em 1987com o início da história da Casa pelo seu idealizador Jorge Rasta. A área da Fazenda é de 24 hectares, com belíssima paisagem nas margens do Rio de Contas.




Nesta área serão desenvolvidas oficinas permanentes de manufatura de coco e confecção de instrumentos musicais, já financiadas pelo MTUR e FBB, com instalações já concluídas.


Em fase de construção encontra-se o restaurante – escola, o qual servirá para capacitar a comunidade e atender ao público visitante, o qual está previsto a ser inaugurado no mês de fevereiro.



A proposta da fazenda Modelo quilombo do Oitizeiro é ser auto – sustentável, gerando renda para a comunidade tradicional, aumentando a diversidade de opções para aparelhar o turismo, conforme o modelo de Turismo de Base Comunitária.


Pra compor esta Fazenda, além do restaurante – escola serão construídos uma loja para venda dos produtos produzidos na Fazenda Quilombo do Oitizeiro, um palco onde serão apresentados performances que retratam a cultura afro – indígena, dentre outras propostas que ao longo dos próximos anos, estaremos trabalhando na implementação.





06/01/2009

Flagrante

Projeto Teatro na Roça

O Projeto Teatro na Roça, uma parceria com o Fundo de Juventude do Nordeste, objetiva promover a mobilização de jovens em defesa dos valores culturais e de sua participação na construçao cidadã em comunidades rurais quilombolas.
Teve seu primeiro grande momento em campo no dia 22 de Dezembro de 2008, quando a Casa do Boneco fez seu segundo contato com a comunidade quilombola do Santo Amaro, através desse projeto.



O encontro coincidiu com a festa de confraternização das crianças daquela comunidade.




O evento aconteceu no terreiro de Mãe Júlia
A comunidade do Santo Amaro é composta por cerca de 50 crianças, em sua maioria filhos de jovens que não estão inseridos no mercado de trabalho




Fizemos teatro de bonecos com a peça "Vamos para festa pelo caminho da floresta", onde os heróis foram os patriarcas da comunidade, o Sr. Olímpio e o Sr. Aloísio.


finalizando com um samba de roda, dinâmicas de grupo e coreografias.











15/12/2008

Romain Poisson




É assistente de diretor de artes e cenografia, nasceu no sul da França, criado em Paris.

Sempre viajou com seus pais até poder viajar sozinho, mora no Brasil há 1 ano, no Rio de Janeiro.
Conheceu o Brasil há 7 anos quando fazia doutorado sobre a dívida do Brasil, Camarões e Índia.
Quando Chegou à Bahia se apaixonou pela cultura afro Brasileira passando a trabalhar com o grupo " A Mulherada" e a pesquisar sobre o papel da mulher na cultura afro brasileira.
Conheceu a Casa do Boneco em 2005 na França quando fazíamos nossa turnê no ano do Brasil na França, se interessou pelo trabalho passando a nos visitar uma vez por ano em Itacaré.Desde então vem contribuindo com a Casa fazendo documentários sobre nosso trabalho e seus impactos como: "Uma História de árvore entre outros , o que lhe vem a pergunta: Como que um estado fora da África tenta manter e fortalecer a cultura, sendo que dentro da própria África, nos países em que visitei, não existe isso?
Essa constatação lhe causou um choque, admiração e interesse, o que acabou gerando um direcionamento de alguns de seus documentários como o fórum social mundial.



09/12/2008

TURISMO ÉTNICO AFRO

MEMORIAL UNZÓ TOMBENCI NETO
O 1º MEMORIAL DE RELIGIÃO DE MATRIZ AFRICANA DO INTERIOR DA BAHIA


O memorial Unzó Tombenci Neto foi fundado em novembro de 2006, e fica instalado no Terreiro de Matamba Tombenci Neto. O Memorial constitui-se num núcleo de pesquisa e documentação que abriga um variado acervo de fotografias, documentos históricos, materiais de áudio e vídeo, indumentárias, instrumentos músicais entre outros objetos referentes à religião de matriz africana no município. O Memorial está aberto à visitação pública e propicia acesso à informação de interessados de todo o Brasil e região. O Memorial também recebe visitas programadas de escolas da rede pública e particular, atendendo alunos do primeiro e segundo grau, bem como estudantes universitários , pesquisadores e turistas. Todas as visitas são guiadas por um membro do terreiro especialmente preparado para acompanha os visitantes.

FUNCIONAMENTO

Os horários de funcionamento do memorial e de segunda a sábado das 9:h ás 12:h e das 14:h ás 18:h o valor do ingresso e de R$ 3,00 (três). O Memorial Unzó Tombenci Neto constitui o primeiro centro de preservação da história material e da memória
de matriz africana do sul da Bahia.

COMO CHEGAR
Av.Brasil, 485 - Alto da Conquista, próximo do abrigo São Vicente de Paulo e do Hospital Regional e em frente a sede do Bloco Afro Dilazenze
Tels. (73) 3086-1871/8809-3958
E-mail: matambatombencineto@yahoo.com.br

06/12/2008

Beleza, que beleza? Na favela

“Beleza na Favela” é o nome de um quadro do programa Hoje em Dia, da TV Record. A idéia é fazer um concurso, mais uma distinção hierarquizada entre o que é bonito e o que é feio no mundo. Ou melhor, que boca tem mais valor, que cabelo faz mais sucesso, que cor é a certa...O programa visita os Estados do Brasil em busca de uma candidata, que represente seu estado na final do quadro. Na final, das representantes de cada Estado, uma será eleita como representante da beleza da mulher da favela no Brasil.Em cada Estado o programa visita por volta de cinco comunidades carentes, de onde escolhem uma representante que viajará para São Paulo, a cidade maravilha em termos de competição e hierarquização. Ah... com todas as despesas pagas...O primeiro registro histórico que se tem de favela no Brasil data do ano de 1897. Foram precisos 111 anos para que a mídia percebesse que existe beleza na favela e desse um jeito de explorar. E eis aqui a beleza da favela da Record: alta, magra, cabelos lisos, bem lisos... narizinho fino e pele escura... claro...“Beleza da favela?” Um estereótipo de beleza que tenta namorar da melhor maneira possível com o estilo europeu possível nos países tropicais: tem pele escura, representando nosso escaldante sol, mas tem cabelo liso, tem nariz fino... ah... e é magra, muito magra...mas e aí? É isso a representação da beleza da favela?Como se representar a verdadeira beleza do povo negro, ou as grandes belezas exóticas – originadas da miscigenação de três etnias, índios, negros e brancos – tão característica do povo brasileiro, se os únicos traços de beleza que a mídia busca são aqueles que se assemelham aos do branco, europeu ocidental? Em sua hipocrisia, a mídia, até tenta disfarçar seus anseios discriminatórios, mas tropeçam em suas próprias pernas ao criarem um quadro onde se encontra implicitamente estampada a discriminação étnica. Ao elegerem a beleza da favela, talvez tenham se sentido desconfortáveis na escolha de uma representante de pele branca, pois se está incutido no imaginário do povo brasileiro que negro e favelado são sinônimos. Assim, dentro de uma lógica hipócrita e discriminatória da mídia, quem melhor para representar a beleza da favela que uma mulher de pele negra? Mas claro, cabelo liso, e nariz fino... que ninguém quer por ali o “cabelo ruim e narigão”A busca de uma candidata de pele negra com traços característicos do branco, europeu ocidental, atende a uma política que reforça a hierarquia da beleza branca, que se articula na mídia desde o inicio das telenovelas. Em um país em que mais da metade da população já não é mais branca fica estranho entender como o lugar social dos negros na mídia ainda esteja ligado a um papel resignado, de inferioridade em relação ao branco.Coincidentemente, enquanto escrevia este artigo, observei na televisão um comercial de determinado supermercado onde aparece uma dezena de figurantes, nenhum deles negro. Onde o negro está sendo representado? Em papéis inferiores nas novelas como empregadas domésticas? Bandidos ou marginais, capachos, capangas ou seguranças em filmes? Quando aparece em uma camada social mais abastada é um político corrupto? Em programas que buscam eleger a beleza da favela, mas nos padrões mais branqueados possíveis? O problema é que o negro só tem destaque na mídia no papel de negro, não é mais um personagem como outro qualquer, ele é o “negro”.Seriam mesmo esses personagens estereotipados a imagem do negro no Brasil? O que ocorre é a depreciação do negro, em seus traços de beleza e cultura, advindo de um espírito discriminatório e preconceituoso, encobertos pelo discurso de uma suposta democracia étnica, fruto de quatrocentos anos de escravidão e mais cem anos de exploração do trabalho negro, que por quinhentos anos carregaram com braços fortes as estruturas deste país, produzindo riqueza para o homem branco e, como recompensa, tendo seu papel na história sempre resignado a um segundo plano. Isto tudo para nos atermos somente às injustiças com os negros. Mas e as outras pessoas que não se encaixam neste estereótipo de beleza imposto pela mídia? Não teriam essas pessoas um traço de beleza que lhes é peculiar, onde se está sendo representado as outras belezas do nosso povo?A “ditadura das passarelas”, que a mídia enaltece com uma aura de glamour e elegância, impondo ao resto da sociedade um padrão de beleza, que deve ser tomado como verdadeiro, e resignando o conceito de beleza aos traços do europeu ocidental (branco, magro, cabelos lisos, nariz fino). Cria-se então um mercado da beleza. E os especuladores não deixam de tirar proveito mais uma vez dos sonhos do povo brasileiro.Quando vamos começar a olhar a beleza do Brasil como ela de fato é, e parar de olhar como deveria ser? Negro, branco, índio em uma miscigenação que torna particular a beleza do povo brasileiro. Sem padrão descobre-se uma variedade de belezas tão magníficas, e exóticas, quanto as do padrão que se impõe.
Jonas Pasck é estudante de história.
Fonte - site da revista Caros Amigos