terça-feira, 18 de agosto de 2009

A rainha Jinga – África central, século XVII

Rainha Jinga

Rainha Jinga

Por Marina de Mello e Souza

Uma das personagens mais conhecidas da história centro-africana é a chefe de Matamba chamada pela crônica portuguesa e missionária de rainha Jinga. Nascida em torno de 1580, na chefatura do Ndongo, filha do principal chefe da região, que tinha o título de ngola a kiluanje, morreu em 1663, depois de uma longa vida ocupada em grande parte em guerrear com os portugueses. Estes haviam se instalado na ilha de Luanda e em algumas fortalezas ao longo do rio Cuanza a partir de 1571, quando Paulo Dias de Novaes chegou para ocupar a donataria que D. Sebastião havia lhe atribuído. A ilha de Luanda e as terras vizinhas eram freqüentadas pelos portugueses sediados em São Tomé, desde meados do século XVI, e por essa época os povos que ali viviam começavam a se tornar mais independentes do domínio exercido pelo mani Congo, chefe do estado mais poderoso da região e aliado dos portugueses desde o final do século XV.

Quando os portugueses chegaram para se instalar no Ndongo, este era chefiado por um irmão de Jinga, que resistiu às tentativas de ocupação de suas terras, seja pela guerra, seja pela imposição de tratados de vassalagem. A região era habitada por povos ambundos, agricultores e organizados em torno de linhagens, que foram duramente combatidos pelos portugueses, aliados aos imbangalas, povos guerreiros vindos do interior e do sul, que àquela altura perambulavam pela costa. Diante da superioridade militar dos portugueses fortalecidos pelos exércitos imbangalas, os ambundos cederam importantes porções dos territórios que até então ocupavam.

fonte: http://www.africaemnos.com.br/wordpress/

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