sexta-feira, 9 de março de 2012

Marinha do Brasil viola todos os direitos humanos do Quilombo Rio dos Macacos-BA. A situação é gravíssima e o governo é omisso!




A Mobilização Somos Todos Quilombo Rio dos Macacos, esteve organizada e atuante em mais um conjunto de ações nesse final de semana em Salvador e Simões Filho. A pauta era a mesma: a gravíssima situação de uma estúpida violência que o estado brasileiro através da Marinha do Brasil tem submetido o Quilombo de Rio dos Macacos, no município de Simões Filho BA. O motivo: A Marinha alega o direito de toda a área.

O Quilombo existe há mais de 200 anos naquele território, mas desde a década de 70, quando a Marinha instalou uma Base Naval nos seus arredores, os problemas aumentam a cada dia evidenciando ações criminosas e desumanas àquelas famílias. Há décadas a comunidade sofre os horrores de uma opressão que quase não se diferencia do regime escravocrata que os africanos e seus descendentes sofreram nesse país.

A comunidade vive privada dos seus direitos básicos:

insegurança alimentar – principalmente por serem impedidos de pescar e de cultivar em grande parte do território /ir e vir – a comunidade não tem livre acesso, todas as entradas e saídas são limitadas, passando por revistas cotidianas. Por conta disso a maioria das famílias, inclusive as crianças são analfabetas / Não tem acesso à energia elétrica / Não tem acesso à educação / Não tem acesso à saneamento básico



Mobilização Somos todos quilombo Rio dos Macacos

No último dia 27 de fevereiro, em reunião realizada na comunidade com a Secretaria Geral da Presidência da República, apesar da afirmação que o Quilombo não seria expulso de seu território, a nota que a União Federal divulgou dia 01 de março apenas adiou uma suposta expulsão pacífica por mais 5 meses. A nota tinha como título “ Governo assegura direitos do quilombo Rio dos Macacos”. Quais direitos o Governo, seus ministérios e a presidenta estão assegurando? Não é possível responder por que eles não existem. Não existe nem sequer um apoio mínimo, e afinal de contas, entendendo que a Marinha é representação do Estado Brasileiro, pode-se interpretar que a comunidade sofre um crime de Estado, um crime que acontece também sob vergonhosa inoperância das secretarias estaduais e ministérios que deveriam responder pela reparação da população negra.

Por um outro lado, a Bahia, por não ter governabilidade de um assunto de competencia da União, limita-se a sinalizar um conjunto de medidas para acesso dessa comunidade como alimento e água por exemplo. Porém essas garantias para quilombos sempre sofrem profundas e ridículas dificuldades burocráticas e de racismo institucional, o que gera poucas esperanças de uma ação a curto prazo. Para Elias Sampaio da Sepromi, Almiro Sena da Secretaria de Justiça, governador Jacques Wagner e Ministério Público Estadual fica reservado um vergohoso silencio.


A reintegração parou nesse domingo por ordem do Ministro Celso Amorim , após uma série de acionamentos do movimento, sobretudo em Brasília. O Movimento Somos Todos Quilombo Rio dos Macacos, presente e vigilante, foi determinante para uma barbárie não estar estampada nos noticiários dessa semana. Porém as represálias da Marinha à comunidade é dado objetivo e continua precisando de vigilância, denúncia e maior apoio.


No contraste, a vila militar que invadiu o território quilombola, tem todas, absolutamente todas as condições estruturais que são negadas à comunidade, num contraste vexatório. E apesar da Marinha do Brasil ter todas as condições de garantir um clima de segurança pelo menos no entorno de sua base naval, acreditem: é ela quem aterroriza a vida dos moradores há anos. Nesse último sábado, um idoso de 60 anos, voltando pra casa à noite, foi jogado ao chão e ameaçado de morte com uma arma na cabeça, tiros foram disparados aleatoriamente, este senhor, que prefere não ser identificado conta: “Me jogaram no chão e chegou um fuzileiro de moto e disse 'mata ele', me chamaram de vagabundo e chamaram minha cunhada de puta”. Durante o relato, outro morador complementa: “Eles derrubaram a casa de meu filho em 2007 e deram ordens que ninguém podia entrar na comunidade, nem repórter e nem advogado... Quando chegou a certidão da Fundação Palmares foi uma bomba, mas eles não querem dar o braço a torcer (…) A gente não quer a casa deles não, o invasor aqui não somos nós, pra você ter uma idéia eles chegam em quintais aqui e enchem seus carros de coco e vão embora, isso pra mim é roubo, eles dizem que a terra é da União, mas pra mim isso é roubo... ninguém aqui age assim, só eles...”

Constrangimentos cotidianos para entrar em sua comunidade

No domingo 04 de março, a Mobilização Somos todos Quilombo Rio dos Macacos, que agrega diversos movimentos negros e estudantis, além dos quilombolas de Rio dos Macacos, reuniu cerca de 300 pessoas que em caravanas seguiram para a comunidade num ato de solidariedade pacífico de doação de alimentos. Para espanto imediato, na manhã desse domingo na Base Naval, todo o cenário de desocupação estava montado: duas viaturas de policiais militares, 1 trator, e um reforço de 03 caminhões de fuzileiros dentro da comunidade, cercando toda a área. O clima era de guerra e continua sendo. Moradores também contaram que um policial havia dito que a desocupação aconteceria entre domingo e segunda.

Marinha tenta arma cenário pra desocupação, mas movimento impede

O Tenente da Marinha que recebeu o movimento, se recusou em ser identificado pelo nome, afirmou que não seria possível a entrada daquela quantidade de pessoas sob os seguintes argumentos: “ por que viraria manifestação”/ “por que tinha ordens do capitão pra não deixar entrar ninguém e ele poderia deixar entrar apenas 5” /“por ser uma área militar tem restrição” / “ as famílias da vila estavam assustadas com nossa presença”. Ao fim da negociação, entrou uma combi com 8 pessoas, entre elas 3 advogados para a entrega de alimentos, o outro contingente de pessoas tomaram um caminho alternativo para ter acesso à uma área mais periférica da comunidade onde puderam dialogar com parte da comunidade.


A semana se inicia com uma tensão para todo o movimento e a comunidade: quais os próximos ataques? A desocupação vai acontecer por uma vergonhosa e lamentável truculência da Marinha?

A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA ESTÁ PARA COMETER O SEU MAIS VERGONHOSO CRIME, MAS NÃO NOS CALAREMOS! NÃO PASSARÃO! A Mobilização Somos Todos Quilombo Rio dos Macacos conclama a sociedade civil, o direito internacional, todas as agencias de proteção aos direitos humanos, artistas, ativistas a serem mobilizadores dessa causa.

Contatos: AATR: 55-71-33297393 e-mail: aatrba@terra.com.br

Cine Quilombola - uma revolução de idéias quilombólicas







sábado, 28 de janeiro de 2012

Encontro de Experiencias IF Baiano Campus Itapetinga , Casa do Boneco e Quilombo D'Oiti

No último final de semana de 21 de janeiro, nossa Casa teve a honra de receber professores e estudantes do IF Baiano . Coordenado pela professora Rose Oliveira, a experiencia, que na verdade começou na sexta no Terreiro de Matamba Tombenci Neto e seguiu pra Itacaré no sábado e domingo, teve o intuito de sensibilizar o grupo para questões importantes como cultura negra, racismo, preconceito e discriminação. As atividades, que envolveram rodas de conversa e oficinas na Casa e no Quilombo com o roteiro de turismo étnico comunitário conseguiram discutir principalmente o modelo de sociedade e desenvolvimento que precisamos nos debruçar, os equívocos de comportamento que precisamos perceber e entender para haver o enfrentamento. De acordo com os depoimentos dos estudantes, essa foi uma experiencia inesquecível que abalou positivamente valores e princípios do grupo. As atividades também estão relacionadas à parceria entre o IF e a Casa para colaboração na implementação da lei 10 639/03




quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Projeto O Direito é Humano!

Capa da primeira edição do jornal Ori
Leia a edição completa em jornalori.wordpress.com

Dani Nega Jeje e Preta Ashanti na Feira de saúde do Bairro Santo Antonio


Com o apoio do Fundo Brasil de Direitos Humanos, está sendo promovido pela Casa do Boneco ações de produção colaborativa de jornal comunitário, debates e feiras de saúde.
O Jornal Ori (Oficina de Reportagem de Itacaré) foi lançado com ampla aceitação e repercussão no município no último mês de novembro, garantindo pra cidade um veículo de comunicação de qualidade pautado na ótica comunitária e étnico racial, com foco nos direitos públicos.
Articulado com o Jornal, os debates e as feiras pretendem trazer para as comunidades negras de Itacaré atividades de mobilização em prol de informações necessárias sobre o direito à saúde da população negra, tendo em vista que esse é um dos direitos mais usurpados em nossa região.
No final de 2011 aconteceu a feira de saúde no Bairro Santo Antonio e o debate de Saúde da População Negra na Câmara de Vereadores de Itacaré com ampla repercussão através da FM Itacaré.
Vacinação na Feira de Saúde
Sandra Brasil, doutoranda em Saúde comandando o debate de saúde da população negra na Camara de Vereadores

Say Adinkra entrevistando Suely Carvalho: Parto natural é a próxima matéria de capa do Jornal Ori


Rota de Escambo Baobá

A rota de escambo baobá pretende-se enquanto uma articulação de conhecimento,consumo, produção colaborativa, coletiva auto-gestionada e solidária da Rede Mocambos articulando afro empreendimentos solidários em diferentes lugares do país.

Foram mobilizados os núcleos de formação continuada da rede mocambos dos estados Bahia, Sao Paulo, Pernambuco, Pará, Rio Grande do Sul, Maranhão e Piauí.Foram executadas ações práticas apenas na articulação e colaboração com diferentes coletivos da Rede Mocambos, projetando para o próximo semestre as ações de comercialização e práticas colaborativas de produção, escambo e venda em rede.

Também está sendo construído um amplo diálogo com coletivos ligados a Federação Nacional de Economia Solidária, a Colivre, o Iteia, o TEIA e o Noosfero, existindo assim uma construção de convergência de inciativas premiadas pelo economia Viva e /ou que estão construindo e se dedicando à mesma pauta da economia da cultura colaborativa, para construção de uma ferramenta comum que sirvam ás plataformas de comercialização

Nesse sentido, a articulação maior envolve a Rede Mocambos e Federação Nacional de Economia Solidária, a Colivre, o Iteia, o TEIA e o Noosfero, em 2012, as ações entre redes estarão centradas na experimentação da convergência de ações a partir da tentativa de um sistema federativo entre as redes que permitirá que as pessoas com suas iniciativas produtivas e de serviços interajam, colaborem e troquem entre si

Confira o vídeo do GT Rota de Escambo em Itacaré: http://www.youtube.com/watch?v=z3OJEMnlSNg&feature=youtu.be

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

IV Marcha Zumbi Vive: Axé pra quem é de Axé!




A Marcha Zumbi vive em mais um ano foi para as ruas de Itacaré celebrar a negritude , esse ano, com a participação da escola indígena de Olivença, escolas da cidade e grupos culturais, a Casa do Boneco fez uma homenagem ao povo de axé trazendo pras ruas também os intergantes do Terreiro de Nanã e a Mãe Júlia!

Salve Zumbi! Salve o Povo do Axé







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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

X Cauru de Ibejis da Casa do Boneco de Itacaré!

No último 02 de outubro Itacaré foi novamente sacudida pela energia do tambor e do dendê, o X Caruru de Ibejis reafirma a tradição dos orixás das crianças, uma grande festa para doar batuque, brincadeira. comida em abundancia e confraternização entre famílias negras e tantas outras que pactuam dessa energia afro.
Nesse Caruru, cerca de 400 pessoas estiveram na festa, que começou com o cortejo afro saindo da banca do peixe e teve participações bastante especiais: Griô Morenito, Don Perna da Rede Mocambos, MC Caspa e Kiko, Baga, Preta Lia de Vitória da Conquista, as matriarcas Mãe Júlia e o cortejo do Terreiro de Nanã, Dona Guiomar e os fotógrafos Fafá Araújo e Mário Nogueira. A festa fossim, o encontro entre diferentes linguagens de matriz africana, a tradicional, com fundamento do candomblé e a contemporânea, com a linguagem do hip hop, envolvendo a juventude e as crianças num clima de musica, grafite, atitude e ideologia.






























Sua ajuda é muito importante.