terça-feira, 18 de agosto de 2009

Cantemos forte

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ilustração de Michael Thompson

Cantemos forte, levantemos um clamor pelos hutus e pelo tutis, achemos um africano em cada criança! Com microfones e pick-ups em punho, falemos alto contra o racismo, gritemos mais forte sobre nossa cultura! Mas que cultura? A prostituída, a cultura dos griots, a cultura hip-hop, a cultura Black, a cultura religiosa, a cultura branca, qual? Se não sabemos em que lado estamos, como vamos nos defender? Então, que a educação seja nosso grito de guerra, que esta possa ser grafitada em todos os muros, cantada pelo mc’s, discotecada pelos DJs, dançada pelos poppers, lockers e b.boys. Mas essa não pode ser uma educação formal, lápis e papel, mas que seja uma educação étnico racial! Cada militante e pessoa do hip-hop será um professor, um educador, resgatador da cultura de nossos bisavôs e bisavós, dentro de cada elemento encontraremos o antigo africano, não preso em grilhões e navios, mas livres, pelos rios do Congo, pelo reino de Ifé, pelos caminhos de Luanda, encontraremos bantos, Nagôs, mandingas, escondidos em cada novo artista do hip-hop, criança e adulto, homem ou mulher! Seus sorrisos serão mais brilhantes do que o sorriso de Ojun-orun, a cada movimento ou palavra dita, em novo Orixá se manifestará, independente da religião, pois o religare acontecerá!

arte por Michael Thompson

ilustração de Michael Thompson

Nos religaremos a África, através do Hip-Hop! Formaremos uma nação que conhecerá seu passado e terá condição de planejar melhor seu futuro. Os punhos pro alto não serão mais protestos e sim, símbolos de uma nova geração. Herdeiros de uma história que estamos escrevendo, frutos de uma história que escreveram de nós, quando Luis Gama venceu os obstáculos e rompeu a escravidão mental! Então, irmãos, preparemos nossos artefatos, nosso palanque será nas favelas, lugar de concentração do povo preto atual! E de lá, nos expandiremos e tomaremos os centros, nosso por herança, seremos vistos e não apenas tolerados! E dentre nós, nascerá um novo Zumbi dos palmares, surgirá, se levantará, subirá ao palco, dará um ok ao DJ pra soltar a base, tomará o microfone, e neste momento, os b.boys pararão, os Sprays ficarão sem utilidade. Todos olharão pra ele e, num canto uníssono, parafraseará grandes poetas, mas sua fala será original e verdadeira; “Agora sim. Enfim, Livres!”

Israel Neto (Réu): MC, Educador, Mobilizador Cultural e social. Trabalha há 3 anos na promoção e divulgação da lei 10.639/03, junto com o coletivo cultural Literatura Suburbana, no qual é coordenador. Nas horas vagas dos shows e aulas, exerce o trabalho de poeta da periféria, sempre unificando a literatura periférica, o hip-hop e a cultura afro! Estudante dos movimentos culturais e sociais, fácil de encontrar nas ruas e ong’s da Brasilândia e adjacências!

Michael Thompson (freestylee): Designer jamaicano, que vive atualmente em Easton, Pensilvânia nos Estados Unidos. Desenvolve projetos gráficos, principalmete posters com temas políticos como panafricanismo, contra as guerras, pela preservação do meio ambiente, contra o racismo e o preconceito



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